Cidades
Publicado em 02/09/2026, às 06h42 Lenilton Lima/Sinte-RN Lavínia Manso
A Prefeitura do Natal e representantes dos professores da rede municipal retomaram, nesta terça-feira (1º), as negociações sobre as reivindicações da categoria após a greve realizada entre os dias 6 e 25 de agosto. Em reunião com o prefeito Paulinho Freire (União), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN) cobrou, entre outras medidas, um reajuste salarial de 4,6% ainda em 2026, mudanças nas carreiras da educação, convocação de concursados e melhorias nas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
O encontro não terminou com uma definição sobre os principais pontos financeiros apresentados pelos professores. A Prefeitura informou que fará estudos para calcular o impacto das reivindicações e avaliar a possibilidade de atendimento dentro do orçamento municipal.
Uma nova rodada de negociação foi marcada para a próxima terça-feira (8), às 10h. Segundo o prefeito, a intenção é apresentar os resultados dos levantamentos e buscar encaminhamentos concretos para as demandas apresentadas pela categoria.
Já deixamos marcada uma nova reunião para terça-feira 8, quando poderemos avaliar os pontos discutidos hoje e onde podemos avançar. O nosso dever é avançar o máximo possível e sair da próxima reunião com alguns encaminhamentos definidos”, afirmou Paulinho Freire.
Entre as principais reivindicações está a concessão de mais 4,6% de reajuste salarial em 2026. No início do ano, os professores já receberam uma correção de 5,4%, referente à atualização do piso nacional do magistério. Com o novo percentual solicitado, a categoria pretende alcançar uma recomposição total de 10% neste ano.
O sindicato também defende a criação de isonomia salarial entre as três carreiras da educação, além da unificação das legislações que regulamentam os profissionais. De acordo com o Sinte-RN, a Prefeitura deverá analisar a possibilidade de garantir salários equivalentes para servidores que desempenham funções semelhantes.
A discussão sobre a unificação das carreiras também foi considerada um avanço pelo coordenador-geral do Sinte-RN, Bruno Vital. Segundo ele, o prefeito reconheceu a importância de uma carreira única para os profissionais da educação municipal.
A próxima audiência deverá contar ainda com representantes do Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município de Natal (NatalPrev). A participação do órgão está relacionada aos possíveis impactos previdenciários das alterações nas carreiras e nos salários dos servidores.
Outro ponto tratado durante a reunião foi a reposição das aulas interrompidas durante a paralisação. A Secretaria Municipal de Educação encaminhou um ofício às escolas para orientar as unidades sobre a elaboração dos calendários de reposição.
Cada escola terá autonomia para definir como irá recuperar as atividades perdidas, mas deverá concluir a reposição ainda em 2026. Segundo o sindicato, a Prefeitura também assegurou que os profissionais que participaram da greve não terão os salários cortados.
As entidades discutiram ainda a situação da merenda escolar, os repasses financeiros para as unidades, as obras de infraestrutura e as condições de funcionamento das escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
Sobre os recursos destinados à manutenção das unidades, o secretário municipal de Educação em exercício, Lucas Bento, informou que o Município está finalizando os pagamentos do Recurso do Orçamento Municipal (ROM) referentes a 2025.
De acordo com a gestão municipal, três das cinco parcelas do Recurso do Orçamento Municipal de 2025 já foram pagas. As duas restantes estão previstas para outubro e dezembro de 2026. Depois disso, a Prefeitura pretende iniciar o pagamento dos valores referentes a 2026, de acordo com a disponibilidade financeira.
A convocação de novos professores também entrou na pauta. Segundo a administração municipal, o pedido já foi encaminhado à Secretaria Municipal de Administração, que deverá concluir os procedimentos necessários para a contratação dos candidatos aprovados no concurso público.
As obras e intervenções necessárias nas escolas também serão discutidas com base em um relatório produzido pela equipe de engenharia da Secretaria Municipal de Educação. O documento deverá auxiliar na identificação das unidades que precisam de melhorias e na definição das prioridades.
Outro tema que gerou debate foi o sistema de reconhecimento facial utilizado nas escolas municipais. O Sinte-RN questiona o mecanismo e avalia solicitar sua retirada.
Para esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do sistema e sobre a coleta de informações dos estudantes, ficou prevista a participação de representantes do Banco do Brasil na próxima reunião entre professores e Prefeitura.
O sindicato quer obter detalhes sobre quais dados são coletados, como as informações são utilizadas e quais medidas de segurança são adotadas. A discussão deverá fazer parte da pauta da audiência marcada para o dia 8.
Além da questão salarial, a categoria pretende continuar cobrando melhorias estruturais e administrativas para a rede municipal. A expectativa é que a próxima rodada de negociação avance sobre os pontos que ficaram sem resposta definitiva no primeiro encontro.
A retomada do diálogo ocorre poucos dias após o fim da greve, encerrada em 25 de agosto. Agora, professores e Prefeitura voltam à mesa de negociação com a expectativa de transformar as reivindicações apresentadas em medidas concretas para a educação municipal.