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Cidades

Pesquisadores da UFRN criam tecnologia barata para evitar entupimentos em poços de petróleo; entenda como funciona o "Sensor de Prata"

Com a tecnologia do Sensor de Prata, a indústria petrolífera pode evitar prejuízos bilionários causados por entupimentos em dutos  |  Reprodução/Freepik

Publicado em 04/02/2026, às 11h01   Reprodução/Freepik   Malu Machado

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A economia brasileira e a manutenção de milhares de empregos dependem diretamente da produção de petróleo. No entanto, um dos maiores desafios silenciosos dessa indústria são as incrustações. 

As incrustações funcionam como depósitos de minerais que grudam nas paredes dos dutos e poços, agindo como um "colesterol" que interrompe o fluxo do óleo. Quando uma tubulação entope, a produção para e os prejuízos são bilionários.

Para combater esse problema, o setor utiliza substâncias químicas chamadas inibidores. O grande obstáculo, até agora, era monitorar esses produtos: os métodos tradicionais são caros, demorados e exigem laboratórios altamente especializados. Mas uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)promete mudar essa realidade.

O "Sensor de Prata": tecnologia de ponta com baixo custo

Pesquisadores do Instituto de Química da UFRN, em parceria com o Núcleo de Processamento de Alto Desempenho (NPAD), desenvolveram uma técnica baseada em um sensor extremamente sensível. Eles utilizaram uma base de vidro revestida com quatro camadas de nanopartículas de prata.

Essa arquitetura especial funciona como um amplificador: ela consegue identificar a presença do inibidor químico (o ATMP) de forma sete vezes mais potente que as técnicas comuns. Na prática, isso permite detectar quantidades mínimas da substância, garantindo que a dosagem para evitar entupimentos esteja sempre correta.

Apoio de um supercomputador e validação internacional

O avanço não ficou apenas nos testes de bancada. O uso do supercomputador do NPAD foi fundamental para realizar cálculos teóricos avançados. Essas análises confirmaram que o inibidor tem uma forte atração química pela prata, validando a eficácia e a robustez do novo método.

Supercomputador, localizado no IMD da UFRN. Foto: portal da UFRN

Os resultados foram tão expressivos que acabaram publicados na prestigiada revista científica internacional Elsevier, comprovando para o mundo que a solução potiguar é viável e pronta para ser aplicada no campo.

Rapidez e economia

Segundo o professor Rafael Fernandes, um dos coordenadores do estudo, a nova metodologia supera de longe as técnicas atuais, como a cromatografia iônica.

O método é mais rápido, econômico e menos dependente de infraestrutura pesada”, explica o pesquisador. 

Ele reforça que o monitoramento em tempo real reduz custos operacionais e evita as temidas paradas na produção causadas por obstruções.

Além de Rafael Fernandes, o estudo contou com a colaboração dos professores Rosangela Balaban e Miguel Ângelo de Souza, consolidando a UFRN como um polo de inovação para o setor energético.

O futuro: sensores de bolso

O próximo passo da pesquisa é transformar essa descoberta em um produto comercial. O objetivo é desenvolver sensores portáteis que possam ser levados diretamente para as plataformas e poços de petróleo. Isso eliminaria a necessidade de enviar amostras para laboratórios distantes, permitindo que as decisões sejam tomadas na hora, no local da operação.

A expectativa é que a tecnologia seja expandida para monitorar outros compostos químicos industriais, reforçando a soberania tecnológica do Brasil na gestão de suas fontes de energia.

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