Cidades
Publicado em 18/05/2026, às 09h15 Reprodução internet Redação
A militante dos direitos humanos e da comunidade LGBTQIAPN+, Gaby Benvenutty, filiada ao Partido dos Trabalhadores, denunciou publicamente ter sido alvo de transfobia justamente dentro do próprio partido que historicamente se apresenta como defensor das minorias, da diversidade e dos direitos humanos.
O episódio ocorreu durante a Conferência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e ganhou grande repercussão nas redes sociais após a divulgação de um vídeo pela própria militante.
Segundo Gaby, o desrespeito partiu do companheiro de partido Arimateia França, que teria se recusado a tratá-la no feminino durante uma discussão ocorrida no evento.
O caso provocou tumulto, revolta e bate-boca entre os participantes da conferência, especialmente pela contradição envolvendo um ambiente político que defende publicamente pautas de inclusão e acolhimento às diferenças.
Nas imagens divulgadas pela militante, ela demonstra indignação ao relatar que o episódio não teria sido um erro isolado, mas mais um caso de violência simbólica e transfobia enfrentado dentro da própria legenda.
Ainda processando tudo o que rolou ontem, mas no vídeo dá pra ver, né, parte desses atritos que tivemos e esse companheiro dizendo que não ia me tratar no feminino, que não ia me respeitar. E foi o que me deixou mais indignada, porque além da pessoa usar que tinha errado o pronome, né, me tratar do masculino por força de expressão ou sem querer, e como eles costumam dizer, eu exigi respeito, nem pus meu respeito, porque eu sou um travesti, e preciso ser tratada no feminino, a pessoa continuava dizendo que ia me desrespeitar. Enfim, né, não é a primeira vez que isso acontece. Dentro do PT, inclusive, outra companheira, que é secretária, passou por algo muito parecido com outro companheiro, né, de partido, que também foi transfóbico, extremamente transfóbico. E, no fim, é isso, nossos corpos continuam sendo violados e pra eles é um erro e um bobo. Mas o vídeo fala por si só.
A conferência foi recheada de transfobia, do início a fim, da chegada, do credenciamento, ao almoço, à atividade, tudo, todas as interações tivemos transfobia, até das aliadas, né, principalmente as aliadas. E o final foi a cereja do bolo, assim, pra fechar”, desabafa Gaby.
O episódio aconteceu justamente no Dia Internacional de Combate à LGBTQIAPN+fobia, data marcada por discursos institucionais de defesa da diversidade, inclusão e respeito às diferenças.
A coincidência acabou ampliando ainda mais a repercussão do caso e gerando críticas nas redes sociais sobre a distância entre o discurso público e as práticas internas enfrentadas por integrantes da própria comunidade LGBTQIAPN+ dentro do partido.
Após a repercussão negativa, a deputada estadual Cida Ramos, presidente do PT da Paraíba, assinou uma nota oficial condenando a atitude considerada discriminatória contra a militante e lamentando que o episódio tenha partido justamente de um integrante da legenda que, em tese, deveria agir com acolhimento e respeito às diferenças.
O caso provocou debates intensos nas redes sociais e reacendeu discussões sobre a existência de práticas discriminatórias até mesmo em espaços políticos tradicionalmente ligados à defesa de pautas progressistas e dos direitos das minorias.