Cidades
Publicado em 04/03/2026, às 11h31 Marcello Casal Jr./Agência Brasil Malu Machado
No Dia Mundial da Obesidade (4 de março), dados divulgados Atlas Mundial da Obesidade 2026 revelam que 20,7% das crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos em todo o planeta vivem com sobrepeso ou obesidade, o equivalente a um em cada cinco, totalizando 419 milhões.
A previsão da Federação Mundial de Obesidade é que, até 2040, o número salte para 507 milhões de crianças e adolescentes no mundo com sobrepeso ou obesidade.
Em nota, a entidade alerta que a obesidade e o sobrepeso na infância levam a condições semelhantes às observadas em adultos, incluindo quadros como hipertensão e doença cardiovascular. A estimativa é que, em menos de 15 anos, 57,6 milhões de crianças apresentem sinais precoces de doença cardiovascular e que 43,2 milhões apresentem sinais de hipertensão.
O atlas mostra como as ações para enfrentar a obesidade infantil permanecem inadequadas em todo o mundo, com muitos países aquém do conjunto de políticas necessárias para prevenção, monitoramento, rastreamento e manejo”, destacou a federação, ao cobrar medidas firmes para reverter as tendências atuais.
Os números revelam que, no Brasil, 6,6 milhões de crianças com idade entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso ou obesidade. O número sobe para 9,9 milhões quando considerados crianças e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, totalizando 16,5 milhões de crianças e adolescentes vivendo com essa condição no país.
Os diagnósticos de 2025 entre crianças e adolescentes brasileiros são:
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Para o vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Bruno Halpern, o atlas mostra um “crescimento assustador” nos índices de obesidade e sobrepeso infantil em todo o mundo, sobretudo em países de média e baixa renda.
O especialista explica que a alimentação baseada em produtos ultraprocessados, baratos e com baixo valor nutricional tem registrado um crescimento exponencial, afetando principalmente as crianças de classes socioeconômicas mais baixas nesses países.
O Brasil não é exceção. Há dois anos, a gente já sabia que, em dez anos, metade das crianças e adolescentes no Brasil teria sobrepeso ou obesidade. Os dados estão se confirmando. Os índices estão crescendo, são alarmantes”, completou Halpern.
Ele lembra que a obesidade é um problema coletivo e que existem “8 bilhões de razões para agir”, se referindo à população mundial, e que é preciso abandonar a visão da obesidade como um problema puramente individual, entendendo-a hoje como uma questão socioeconômica.
Halpern alertou ainda que, se metade das crianças terá sobrepeso em poucos anos, a situação deixa de ser um problema alheio para se tornar de todos nós.
Se não for o seu filho, vai ser o filho da sua irmã ou alguém muito próximo vivendo com isso”, completou.