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Cidades

Justiça condena Johnson & Johnson a pagar mais de R$ 8 bilhões por caso de doença grave envolvendo talco famoso da marca

Johnson & Johnson planeja recorrer da decisão da justiça, alegando que seus produtos não contêm amianto e que não causam doenças  |  Reprodução internet

Publicado em 25/12/2025, às 11h57   Reprodução internet   Dani Oliveira

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A Johnson & Johnson foi condenada pela Justiça dos Estados Unidos a pagar US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,3 bilhões) a uma paciente que desenvolveu câncer supostamente associado ao uso de talco fabricado pela empresa.

A decisão envolve um dos maiores valores já fixados contra a companhia em um único processo individual, segundo a defesa da vítima.

A paciente, Cherie Craft, foi diagnosticada com mesotelioma, um tipo raro e agressivo de câncer que afeta a membrana que reveste órgãos como pulmões, coração e abdômen — doença frequentemente associada à exposição ao amianto, substância reconhecidamente cancerígena.

Caso envolve suspeita de amianto em produto à base de talco

De acordo com a acusação, o câncer teria relação com o uso diário e prolongado do talco da empresa.

O amianto é uma substância que pode ser encontrada naturalmente próximo a depósitos de talco, o que fundamenta milhares de ações judiciais semelhantes.

A Johnson & Johnson enfrenta processos desse tipo desde a década de 1990. O produto deixou de ser comercializado em 2023.

Como foi calculada a indenização bilionária

A condenação envolve diferentes tipos de indenização, aplicadas tanto à empresa-mãe quanto a uma subsidiária.

Valores fixados pela Justiça:
- US$ 59,84 milhões (R$ 330,3 milhões): indenização por danos
• despesas médicas
• dor e sofrimento
• perda de salários
- US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões): indenização punitiva contra a Johnson & Johnson
- US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões): indenização punitiva contra a subsidiária Pecos River Talc

Segundo os advogados de Cherie Craft, este é o maior valor já imposto à Johnson & Johnson em favor de um único paciente.

Histórico de litígios e posição da empresa

A farmacêutica afirma que irá recorrer da decisão e classificou o veredito como inconstitucional.

Em nota, a empresa sustenta que seus produtos não contêm amianto e que não há comprovação científica de que o talco cause câncer.

Erik Haas, vice-presidente mundial de litígios da Johnson & Johnson, afirmou que os processos se baseiam em “pseudociência”.

“O produto não possui amianto e não causa câncer”, declarou.

Número de ações impressiona

Atualmente, a Johnson & Johnson responde a cerca de 67 mil processos judiciais de pacientes que afirmam ter desenvolvido câncer após uso intenso e prolongado de talco à base de minerais.

O caso de Cherie Craft pode influenciar decisões futuras, tanto pelo valor da condenação quanto pelo impacto simbólico sobre outras ações em andamento.

Um julgamento com repercussão global

A condenação reforça a pressão jurídica e reputacional sobre a empresa e reacende o debate internacional sobre responsabilidade corporativa, segurança de produtos de consumo e critérios científicos adotados em disputas judiciais de grande escala.

Classificação Indicativa: Livre


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