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Publicado em 15/09/2026, às 08h46 Divulgação Lavínia Manso
O Rio Grande do Norte autorizou a construção de sua segunda grande planta de hidrogênio verde, desta vez em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal. A Licença de Instalação foi concedida pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) à empresa Atlântico Empreendimentos Imobiliários e permite o início das obras de uma unidade que também produzirá amônia verde, reforçando a aposta do estado na transformação de energia renovável em produção industrial.
A planta terá aproximadamente 2 mil metros quadrados de área construída e capacidade projetada para produzir anualmente cerca de 35,2 mil toneladas de hidrogênio verde e 200 mil toneladas de amônia verde. A licença ambiental terá validade de quatro anos.
Apesar da autorização para a construção, a empresa ainda não poderá iniciar a produção. Para colocar a unidade em funcionamento, será necessário obter uma Licença de Operação junto ao Idema. Segundo o diretor-geral e presidente do órgão, Werner Farkatt, os estudos relacionados ao empreendimento continuam avançando.
O processo de licenciamento estava em tramitação no órgão ambiental desde pelo menos fevereiro, quando a empresa publicou no Diário Oficial do Estado o pedido para instalação da unidade no Condomínio Empresarial de São Gonçalo do Amarante.
Entre as condições estabelecidas pelo licenciamento está a comprovação de que toda a eletricidade utilizada pela planta será proveniente de fontes renováveis. A exigência está diretamente relacionada à classificação do hidrogênio como verde, já que sua produção depende de eletricidade de baixo carbono.
A empresa também informou que pretende utilizar água de reúso durante o processo industrial. A licença estabelece ainda medidas destinadas à prevenção e ao controle dos impactos ambientais tanto durante a construção quanto na futura operação da unidade.
A autorização concedida à planta de São Gonçalo do Amarante amplia a lista de empreendimentos ligados ao hidrogênio verde que avançaram no Rio Grande do Norte ao longo de 2026.
Em abril, o Idema concedeu Licença Prévia ao Projeto Morro Pintado, da Brazil Green Energy, planejado para o município de Areia Branca. O empreendimento prevê capacidade instalada de aproximadamente 500 megawatts e produção estimada em 80 mil toneladas anuais, com investimento anunciado de € 2 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 12 bilhões.
O Projeto Morro Pintado também foi apresentado na Hannover Messe 2026, uma das principais feiras industriais do mundo, realizada na Alemanha. A iniciativa reúne a Brazil Green Energy e a Green Investors e conta com empresas como Thyssenkrupp Uhde, Siemens e Andritz entre os parceiros.
Em junho, representantes do empreendimento voltaram a discutir o andamento do projeto com o Governo do Rio Grande do Norte e com a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern).
Enquanto os empreendimentos de maior porte avançam no licenciamento, o estado também trabalha para identificar condições capazes de atrair investimentos e consolidar uma cadeia econômica relacionada ao hidrogênio verde.
Uma das iniciativas foi o lançamento, em abril, do Atlas de Hidrogênio Verde do Rio Grande do Norte. O estudo foi desenvolvido pelo Governo do Estado e pelo Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Fiern, com execução do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte (Senai-RN).
Segundo o atlas, o potencial teórico do Rio Grande do Norte chega a aproximadamente 90 milhões de toneladas de hidrogênio verde por ano, considerando todas as áreas classificadas como aptas no território estadual.
Em uma projeção mais conservadora, com aproveitamento de apenas 10% dessas áreas, a capacidade estimada fica próxima de 10 milhões de toneladas anuais. O levantamento considera fatores técnicos e econômicos e aponta que os custos de produção podem apresentar competitividade em relação a mercados internacionais.
O hidrogênio verde é obtido por meio da eletrólise da água, processo que utiliza corrente elétrica para separar suas moléculas. Quando a eletricidade empregada vem de fontes renováveis, como energia eólica e solar, o combustível é classificado como verde.
Além de ser utilizado diretamente como insumo ou combustível, o hidrogênio pode dar origem a outros produtos, entre eles a amônia verde. A transformação amplia as possibilidades de armazenamento, transporte e utilização industrial da energia produzida a partir de fontes renováveis.
Além dos dois grandes projetos previstos para São Gonçalo do Amarante e Areia Branca, o Idema já concedeu duas Licenças de Alteração para iniciativas de menor escala voltadas à implantação de plantas-piloto de hidrogênio e amônia verdes.
Com a nova autorização em São Gonçalo do Amarante, o desafio passa a ser transformar os projetos licenciados em unidades efetivamente construídas e operacionais. A expectativa é que o avanço das obras e, posteriormente, das operações permita ao Rio Grande do Norte converter parte do potencial de geração renovável identificado no estado em produção industrial e novos investimentos na cadeia energética.