Cidades
Publicado em 15/05/2026, às 11h15 Reprodução/Internet Malu Machado
Enquanto a taxa de natalidade geral no Brasil segue uma tendência de queda, com uma redução de 13% no número de filhos por mulher entre 2018 e 2023, um grupo específico caminha na contramão dessa estatística e chama a atenção de especialistas.
Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mulheres que deram à luz após os 40 anos cresceu quase 17% em apenas cinco anos. Quando olhamos para um recorte maior, entre 2010 e 2022, esse aumento é ainda mais expressivo: um salto de 60% na maternidade tardia.
Esse fenômeno, detalhado na pesquisa “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, revela uma mudança profunda no perfil reprodutivo e nas prioridades da mulher brasileira, que hoje busca estabilidade profissional e financeira antes de iniciar uma família.
Com o aumento dessa tendência, cresce também a procura por orientação médica especializada. O ginecologista Gustavo Mafaldo, vice-presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do RN (Sogorn), explica que o sucesso de uma gestação nessa faixa etária está diretamente ligado ao acompanhamento pré-concepcional.
Hoje existe um movimento muito maior de mulheres que desejam planejar a maternidade de forma consciente. Isso permite identificar riscos e adotar medidas preventivas antes mesmo da gravidez acontecer”, afirma o especialista.
Segundo ele, o planejamento reprodutivo envolve desde exames ginecológicos de rotina até o controle de doenças crônicas e atualização vacinal.
Embora o cenário seja otimista, a biologia ainda impõe limites que precisam ser discutidos com clareza. A fertilidade feminina sofre uma redução progressiva após os 35 anos, e a ciência alerta para a maior incidência de condições como:
Entretanto, o Dr. Gustavo ressalta que a idade não deve ser vista como um impedimento. “A medicina evoluiu muito e hoje conseguimos acompanhar essas gestações com bastante segurança”, destaca.
Além disso, tecnologias como o congelamento de óvulos têm garantido maior autonomia para mulheres que decidem adiar a gestação, preservando a qualidade do material genético para o futuro.
O recado final dos especialistas é claro: informação é poder. Quanto mais cedo a mulher iniciar o diálogo com seu médico sobre seus desejos reprodutivos, maiores as chances de uma gravidez saudável, tranquila e plenamente vivida, independentemente do que diz o calendário.