Cidades
Publicado em 11/07/2026, às 18h46 Foto: Reprodução Mayane Bezerra
Familiares de crianças com Transtorno do Espectro Autista realizaram um protesto em frente a uma unidade da Hapvida, no bairro de Lagoa Nova, em Natal, para cobrar o cumprimento de decisões judiciais que garantem o acesso a terapias prescritas por profissionais de saúde.
Durante o ato, os manifestantes exibiram faixas com frases como “Nossos direitos não são mercadoria” e “Lucro acima da vida”. As famílias afirmam que enfrentam dificuldades para manter os tratamentos das crianças, mesmo nos casos em que já existem determinações judiciais favoráveis.
Entre as principais reclamações estão mudanças frequentes nas agendas, marcações consideradas inconsistentes e dificuldades para garantir a continuidade do acompanhamento multidisciplinar. Segundo os familiares, os problemas comprometem a execução das terapias e aumentam o desgaste emocional de pais e responsáveis.
Renata Silva, mãe de João Gabriel, de 12 anos, diagnosticado com autismo desde os 2, afirma que a família enfrenta obstáculos recorrentes para assegurar o tratamento previsto nos laudos médicos.
“É muito desgastante o que a Hapvida faz com a gente. Eles estão nos adoecendo pouco a pouco. São decisões judiciais descumpridas, marcações fantasmas, com várias crianças ao mesmo turno, no turno escolar. Eles fazem tudo para atrapalhar o tratamento”, relatou.
O vereador Tércio Tinoco também acompanhou a mobilização. Segundo ele, muitas famílias já conseguiram decisões judiciais determinando o cumprimento dos laudos médicos e a oferta integral das terapias, mas continuam enfrentando dificuldades para manter o atendimento.
O parlamentar destacou que a interrupção ou redução do acompanhamento pode prejudicar o desenvolvimento das crianças, especialmente porque o tratamento de pessoas com TEA costuma envolver diferentes áreas, como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia, conforme a necessidade de cada paciente.
As famílias defendem a regularização dos atendimentos, o cumprimento das decisões judiciais e a manutenção das terapias nos horários e na frequência estabelecidos pelos profissionais responsáveis.
Até a publicação desta reportagem, a Hapvida não havia se manifestado sobre as reclamações apresentadas durante o protesto.