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Publicado em 02/01/2026, às 11h46 Freepik BNews Natal
Cuidar da saúde do cérebro é uma das principais preocupações de quem deseja envelhecer com autonomia e qualidade de vida.
No entanto, um hábito comum em comemorações e momentos de lazer pode estar entre os maiores inimigos da mente: o consumo de álcool.
O alerta vem do neurologista norte-americano Richard Restak, referência internacional em saúde cognitiva e envelhecimento cerebral.
Segundo ele, existe um ponto da vida em que os riscos associados ao álcool superam qualquer benefício social ou emocional.
Álcool age como neurotoxina direta, diz especialista
De acordo com Restak, o álcool deve ser encarado como uma neurotoxina direta, ou seja, uma substância que interfere negativamente no funcionamento do sistema nervoso. Com o avanço da idade, essa ação se torna ainda mais prejudicial.
O neurologista explica que, à medida que envelhecemos, o cérebro perde parte de sua capacidade de se regenerar e de lidar com substâncias tóxicas. Nesse contexto, mesmo o consumo considerado moderado pode acelerar o declínio cognitivo.
A “linha de corte” indicada pela ciência
Para o especialista, os 65 anos representam uma fronteira crítica. A partir dessa idade, o organismo apresenta menor resiliência à toxicidade do álcool, enquanto o cérebro se torna mais vulnerável a danos estruturais e funcionais.
A recomendação é direta: interromper o consumo de bebidas alcoólicas para preservar as conexões neurais e reduzir o risco de doenças degenerativas associadas ao envelhecimento.
Por que o risco aumenta após os 65 anos:
- Menor capacidade de regeneração neuronal
- Maior sensibilidade a toxinas
- Aumento do risco de demências
- Recuperação cerebral mais lenta
Relação emocional com a bebida também é sinal de alerta
Além da idade, Richard Restak chama atenção para o uso emocional do álcool em qualquer fase da vida.
Quando a bebida passa a ser utilizada como válvula de escape para ansiedade, estresse ou frustrações, o risco se intensifica.
Segundo ele, nesses casos, o álcool mascara problemas psicológicos enquanto provoca, de forma silenciosa, danos progressivos à estrutura cerebral.
Riscos vão além do cérebro
Os impactos do consumo frequente de álcool não se limitam à cognição. Dados de saúde pública reforçam que os danos são sistêmicos e afetam diversos órgãos.
Problemas associados ao consumo excessivo de álcool:
- Déficits de memória e raciocínio
- Doenças hepáticas, como cirrose
- Maior risco de câncer de esôfago e cólon
- Agravamento de quadros depressivos
- Inflamação crônica do organismo
O excesso costuma ser definido como mais de dois copos por dia para mulheres e três para homens, patamar associado a maior risco de mortalidade.
Síndrome de Wernicke-Korsakoff preocupa neurologistas
Entre as condições mais graves associadas ao álcool está a Síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma forma específica de demência ligada ao consumo prolongado.
A doença compromete severamente a memória recente, impedindo a formação de novas lembranças.
O problema está relacionado, entre outros fatores, à deficiência de vitamina B1 (tiamina), essencial para o metabolismo cerebral. Sem esse nutriente, as células nervosas entram em colapso, resultando em danos muitas vezes irreversíveis.
Prevenção começa com mudança de hábito
Para especialistas, abandonar o álcool após os 65 anos não é uma decisão aleatória, mas uma estratégia de proteção neurológica.
A ciência mostra que, nessa fase da vida, qualquer fator que acelere o declínio cognitivo pode comprometer a independência e a identidade do indivíduo.
Eliminar a bebida do dia a dia ajuda o sistema nervoso a operar com maior eficiência possível, preservando memória, raciocínio e qualidade de vida por mais tempo.