Cidades
Publicado em 29/07/2026, às 11h08 Reprodução internet Redação
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192 Natal) divulgou, nesta quarta-feira (29), uma nota de repúdio após uma enfermeira da equipe ser agredida física e psicologicamente durante um atendimento de urgência realizado no último domingo (26), na capital potiguar.
A vítima foi a enfermeira Alcilene Nogueira, que, segundo a instituição, sofreu agressões justamente enquanto prestava socorro ao homem que seria o autor do ataque.
O caso gerou forte repercussão entre os profissionais do serviço, que voltaram a cobrar maior proteção para as equipes que atuam na linha de frente do atendimento pré-hospitalar.
Enfermeira foi agredida enquanto prestava socorro
De acordo com o SAMU, a profissional exercia sua função normalmente quando foi atacada pelo próprio paciente que estava sendo atendido.
A instituição informou que Alcilene sofreu lesões físicas e também ficou emocionalmente abalada em decorrência da violência sofrida durante a ocorrência.
O suspeito chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado após prestar depoimento, situação que motivou indignação entre os profissionais do serviço.
Em nota assinada pela coordenadora-geral do SAMU 192 Natal, Dra. Louise Seabra, a instituição lamentou o episódio.
"A profissional foi agredida no exato momento em que cumpria sua missão de salvar vidas — prestando socorro justamente ao próprio agressor —, sofrendo lesões físicas e abalo emocional. Causa-nos profunda indignação e estarrecimento o fato de o agressor, mesmo detido em flagrante, ter sido liberado logo após prestar depoimento."
Violência contra equipes tem se tornado frequente
Na manifestação pública, o SAMU alertou que situações de violência contra profissionais da saúde deixaram de ser casos isolados e passaram a fazer parte da rotina de quem atua no atendimento de urgência.
Segundo a instituição, equipes convivem constantemente com ameaças, agressões verbais e episódios de violência física durante o exercício da profissão.
Infelizmente, episódios dessa natureza deixaram de ser casos isolados e têm se tornado lamentavelmente repetitivos em nossa capital. Nossas equipes enfrentam rotineiramente agressões verbais, ameaças e episódios de violência física no exercício diário de suas funções."
O órgão destacou que esse cenário compromete não apenas a segurança dos trabalhadores, mas também a qualidade e a agilidade do atendimento prestado à população.
Instituição prestará apoio à enfermeira
O SAMU informou que acompanhará a enfermeira Alcilene Nogueira e garantirá suporte institucional após o episódio.
Medidas anunciadas até o momento:
A instituição também manifestou solidariedade aos demais profissionais da saúde que já foram vítimas de violência durante o exercício de suas funções.
Em outro trecho da nota, o serviço reforçou que ataques contra trabalhadores da saúde representam uma agressão à própria sociedade.
"Agressão contra profissional de saúde em serviço é crime e fere toda a sociedade."
SAMU cobra mais segurança para as equipes
Além de repudiar o caso, o SAMU 192 Natal pediu que as autoridades adotem medidas para ampliar a segurança das equipes de atendimento móvel.
A instituição defende uma investigação rigorosa dos casos de violência e a responsabilização dos autores, como forma de combater a sensação de impunidade.
"Cobramos das autoridades competentes medidas efetivas de segurança, apuração rigorosa e punição exemplar para que a impunidade não continue servindo de incentivo a novos atos de violência."
Ataques a profissionais de saúde preocupam entidades
Casos de agressão contra profissionais da saúde têm sido registrados com frequência em diversas regiões do país, especialmente em serviços de urgência e emergência, onde as equipes atuam em ambientes de alta tensão.
Especialistas apontam que situações envolvendo pacientes sob efeito de álcool, drogas, transtornos psiquiátricos ou em momentos de forte estresse podem aumentar o risco de episódios de violência. No entanto, entidades da área ressaltam que nenhuma circunstância justifica agressões contra trabalhadores que prestam assistência à população.
Conselhos profissionais e sindicatos têm defendido a adoção de protocolos de segurança, reforço policial em ocorrências de maior risco e campanhas de conscientização para proteger médicos, enfermeiros, técnicos e socorristas.
"Proteger quem salva vidas"
Ao encerrar a nota, o SAMU reforçou que garantir a integridade física e emocional dos profissionais do atendimento pré-hospitalar deve ser um compromisso permanente do poder público e da sociedade.
"Proteger quem salva vidas é uma obrigação do Estado e um dever de toda a sociedade."