Cidades
O atendimento de urgência no Rio Grande do Norte voltou ao centro das atenções após uma nova falha no sistema do SAMU. Desde a meia-noite desta terça-feira (14), o serviço prestado pelo número 192 apresenta instabilidade em todo o estado, comprometendo atendimentos essenciais e gerando preocupação entre a população.
Até o fechamento desta reportagem, a redação do BNews Natal tentou ligar para o SAMU inúmeras vezes mas o número continua indisponível.
A interrupção estaria relacionada a uma transição contratual envolvendo profissionais responsáveis pelo atendimento telefônico e pela operação de rádio — etapa considerada crítica para o funcionamento do serviço.
Com a instabilidade, situações que exigem resposta rápida, como acidentes, transferências hospitalares e atendimentos a pacientes em estado grave, podem ser diretamente impactadas.
Entre os casos afetados estão:
Segundo informações, a empresa que anteriormente operava o serviço encerrou as atividades, e a mudança não teria sido acompanhada por uma estrutura capaz de garantir a continuidade do atendimento.
Até o momento, o Governo do Estado não detalhou quais medidas estão sendo adotadas para normalizar o funcionamento do SAMU.
Caso recente amplia revolta e expõe fragilidade do sistema
A instabilidade ocorre poucos dias após um episódio que já havia gerado forte comoção em Natal. A morte de um motociclista de 27 anos, José Richardson, após um acidente na Avenida Engenheiro Roberto Freire, levantou questionamentos sobre a eficiência do atendimento de emergência na capital.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um áudio atribuído ao atendimento do SAMU, no qual um profissional relata para o padrasto da vítima a impossibilidade de envio de ambulância naquele momento. Foram mais de duas horas até o socorro chegar; mas infelizmente, o motociclista não resistiu e teve a morte confirmada.
Vítima aguardou socorro consciente
Testemunhas afirmam que o jovem permaneceu consciente por um período significativo após o acidente, enquanto aguardava atendimento.
A empresária Ninha Nunes, que presenciou a cena, relatou a tentativa de manter a vítima acordada e a angústia diante da demora no socorro.
“A gente conseguiu conversar com ele, ele disse o nome, pediu para ligar para o padrasto… mas o SAMU demorou muito. Ligamos várias vezes”, contou.
Áudio revela cenário de colapso
Na gravação divulgada, o atendente aponta um cenário crítico na rede pública de saúde como justificativa para a ausência de ambulâncias.
“Colapso total do sistema”, diz o trecho do áudio, citando falta de macas e alta demanda de ocorrências.
O conteúdo intensificou a revolta de familiares e levantou questionamentos sobre a capacidade de resposta do sistema de emergência.
Relatos indicam que diversas ligações foram feitas ao longo do tempo em que a vítima aguardava socorro. A resposta recorrente mencionava indisponibilidade de macas, supostamente retidas em hospitais da rede pública.
Para familiares e testemunhas, a demora pode ter sido determinante para o desfecho do caso.
Suspeita de abandono agrava indignação
Outro ponto que ampliou a revolta foi a conduta do motorista envolvido no acidente. Segundo testemunhas, ele teria deixado o local após a colisão.
A situação reforçou a sensação de abandono vivida pelos familiares, tanto pela ausência de socorro imediato quanto pela postura atribuída ao outro envolvido.
Caso deve ser investigado
A família do jovem afirma que buscará responsabilização judicial. O episódio deve ser investigado pelas autoridades competentes.
Enquanto isso, a nova instabilidade no SAMU reacende um debate urgente: a estrutura do sistema público de saúde no estado e sua capacidade de responder, com rapidez e eficiência, a situações que dependem de minutos para salvar vidas.
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