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Publicado em 21/09/2026, às 09h19 Getty Images Lavínia Manso
O Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou nesta segunda-feira (21) a demissão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF), após um processo administrativo disciplinar apontar abandono de cargo. A decisão foi assinada pelo ministro Wellington César Lima e Silva na sexta-feira (18) e publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda.
Segundo o ato, a penalidade foi aplicada porque Eduardo teria faltado ao serviço injustificadamente por mais de 30 dias consecutivos. O processo disciplinar havia sido concluído pela Polícia Federal em julho, quando a corporação decidiu pela demissão e encaminhou o caso ao Ministério da Justiça para a decisão final.
A saída encerra o vínculo de Eduardo com a Polícia Federal, onde ingressou como escrivão em 2010. Ele estava afastado das funções para exercer o mandato de deputado federal. Com a perda do mandato, a Câmara dos Deputados declarou o fim do afastamento e, posteriormente, o caso relacionado à permanência no cargo policial avançou para o processo disciplinar.
Eduardo Bolsonaro perdeu o mandato de deputado federal em 18 de dezembro de 2025. A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a perda com base na Constituição Federal, que prevê a perda do mandato quando o parlamentar deixa de comparecer a um terço das sessões deliberativas da Casa.
Os registros oficiais da Câmara mostram que, em 2025, Eduardo acumulou 63 ausências não justificadas entre 78 sessões deliberativas com ordem do dia iniciada. O levantamento aponta ainda que ele esteve presente em apenas 13 dos 73 dias em que houve sessões deliberativas no período.
Após a perda do mandato, Eduardo permaneceu nos Estados Unidos, onde está desde o ano passado. Ele afirma que a mudança para o país ocorreu para evitar o que classifica como perseguição política e jurídica no Brasil.
A demissão ocorre poucos dias após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar, por unanimidade, um recurso apresentado pela defesa de Eduardo contra a condenação imposta em junho deste ano.
O ex-deputado foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Segundo o entendimento da Corte, ele articulou medidas junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e tentar interferir no processo que envolvia seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão da Primeira Turma foi tomada por 4 votos a 0, com os votos do relator Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O julgamento virtual foi encerrado na sexta-feira (18).
*Com informações de g1