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Cidades

Brasil tem 9% dos professores da educação básica pública sem qualificação completa, aponta OCDE

Relatório da OCDE revela que 9% dos professores atuam sem formação completa, destacando a dificuldade de contratação em áreas remotas  |  Carmen Felix/Governo do RN

Publicado em 30/09/2026, às 08h20   Carmen Felix/Governo do RN   Lavínia Manso

Cerca de 9% dos professores da educação básica pública brasileira atuavam sem qualificação completa entre 2024 e 2025, segundo o relatório Panorama da Educação 2026, divulgado nesta terça-feira (29) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento associa a contratação desses profissionais à dificuldade de preencher vagas, sobretudo em regiões remotas ou vulneráveis e em disciplinas como matemática e ciências naturais.

O indicador considera a ausência de diploma, certificação ou formação pedagógica exigida para o exercício da docência. O percentual brasileiro ficou próximo da média dos países integrantes da organização, de 9,1%.

Para o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, enfrentar o problema exige observar mais do que a quantidade de pessoas que concluem cursos de formação.

É preciso saber quem chega à escola, com que formação, para ensinar qual disciplina, em que território e por quanto tempo consegue permanecer”, afirmou.

Insatisfação com salário e trabalho desafia carreira

Apenas 22,3% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental declararam satisfação com a remuneração em 2022. Entre os países da OCDE, a média foi de 38,7%.

A diferença também aparece na avaliação das condições de trabalho. No Brasil, 44,3% dos docentes dessa etapa de ensino disseram estar satisfeitos, diante de 68,4% na média da organização.

Segundo o relatório, a atratividade da profissão depende de fatores que incluem salários, autonomia, reconhecimento público e ambiente escolar. A relação com estudantes e famílias também influencia a avaliação da carreira.

Saída de profissionais agrava dificuldade de contratação

Outro obstáculo apontado pelo levantamento é a saída de professores qualificados. No Brasil, o indicador chegou a 10,3% em 2022, considerando aposentadorias ou demissões. A média dos países da OCDE foi de 6,4%, mas corresponde ao ano letivo de 2024 a 2025.

Henriques pondera que esses desligamentos não significam, necessariamente, abandono definitivo da educação. Parte dos profissionais pode ter passado a trabalhar em outras redes, incluindo escolas privadas. Ainda assim, o resultado indica dificuldades para manter docentes na rede pública.

O representante do Instituto Unibanco defende que a valorização dos professores está ligada ao futuro do país. Segundo ele, são esses profissionais que identificam dificuldades dos estudantes e adaptam o ensino às necessidades de aprendizagem.

Brasil ampliou quadro docente mesmo com menos matrículas

Entre 2015 e 2024, o número de professores dos anos iniciais do ensino fundamental cresceu 4% no Brasil. No mesmo intervalo, as matrículas nessa etapa recuaram 7%.

Nos países da OCDE, o total de docentes das escolas primárias públicas e privadas aumentou, em média, 13%. A quantidade de estudantes cresceu 2%.

Para o Brasil, a projeção é de queda de 3% na população de 5 a 14 anos entre 2024 e 2033. Caso as demais políticas sejam mantidas, essa mudança poderá reduzir a demanda por professores, embora o país enfrente carências em áreas e localidades específicas.

Ministério aposta em bolsas e valorização salarial

O Ministério da Educação (MEC) afirma que mantém ações para valorizar a carreira e enfrentar a escassez de profissionais. Entre as medidas citadas estão o Piso Nacional do Magistério, de R$ 5.130,63, e o programa Mais Professores para o Brasil, criado em 2025.

Para atrair estudantes à formação docente, a pasta destaca o Pé-de-Meia Licenciaturas. Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, a iniciativa elevou em 106% as matrículas de estudantes com alto desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em cursos de licenciatura entre 2024 e 2026.

O ministério também menciona o acompanhamento anual da qualidade das licenciaturas pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o fortalecimento do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e a reformulação da formação inicial.

Em nota, Barchini afirmou que ainda existem desafios históricos, mas defendeu as iniciativas adotadas.

Cada vez mais, jovens estão enxergando na docência um projeto de vida”, declarou.

Profissionais de outras áreas também chegam às salas de aula

A entrada de trabalhadores que já exerceram outras profissões é apresentada pela OCDE como uma das alternativas para enfrentar a falta de docentes.

No Brasil, 11,5% dos professores dos anos finais do ensino fundamental estavam em uma segunda carreira em 2024. Na média dos países da organização, o percentual foi de 8,4%.

Publicado anualmente, o Panorama da Educação reúne indicadores para comparar os sistemas educacionais dos países participantes. O Brasil integra o levantamento desde 1997, com tratamento dos dados e cálculo dos indicadores nacionais sob responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Classificação Indicativa: Livre


TagsFormação docentePanorama da educação 2026Exame nacional de desempenho dos estudantes