Cidades
Publicado em 18/03/2026, às 08h39 Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Elí Bernardo
O preço dos remédios vai subir no mês de abril e pesar no bolso do consumidor. O aumento foi anunciado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que definiu os percentuais de reajuste anual dos medicamentos no Brasil, que passam a valer a partir de 1º de abril.
Os medicamentos terão aumentos diferenciados conforme o nível de concorrência no mercado. De acordo com a definição, medicamentos com maior concorrência poderão ter reajuste máximo de 3,81%. Já os de nível intermediário poderão subir até 2,47%, enquanto os de menor concorrência terão limite de 1,13%. Considerando o índice médio, este é o menor reajuste desde 2018.
A atualização de preços tem base na Lei 10.742/2003 e ocorre uma vez por ano. A resolução com os percentuais deve ser publicada até 31 de março.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte (CRF-RN), Joselito Rangel, de modo geral, o reajuste deste ano é historicamente baixo e não é automático e terá impacto variável conforme fatores como concorrência, política de preços das farmácias e possíveis alterações tributárias.
Não se trata de um reajuste automático, nem obrigatório para todas as empresas, segundo o presidente o presidente do Conselho. “A CMED define um teto máximo de reajuste, não um aumento obrigatório. O laboratório decide se aplica, quanto aplica e em quais produtos”, explica Rangel.
Ele destaca ainda que o impacto ao consumidor pode variar significativamente. “Pode haver repasse integral, parcial ou até não haver reajuste em alguns itens”, diz o presidente do Conselho.
Para atrais o cliente, as farmácias podem adotar estratégias comerciais para reduzir os preços finais, como descontos e promoções.
Vale ressaltar que o reajuste incide sobre o Preço Máximo ao Consumidor (PMC), e não propriamente sobre o valor praticado no balcão.
Cada farmácia define sua política comercial, com descontos, convênios e programas próprios. A concorrência entre redes influencia diretamente o preço final”, detalha Rangel.
Na prática, um mesmo medicamento pode ter preços diferentes na mesma cidade, cenário que deve continuar mesmo após o reajuste e que pode até se intensificar.
Em relação ao impacto para o setor, o presidente do CRF avalia que o reajuste cobre apenas parcialmente os custos. “O reajuste médio gira em torno de 2,2%, abaixo de muitos custos do setor e, em alguns casos, abaixo da inflação”, pontua.
Ainda segundo ele, isso pressiona as margens da indústria e do varejo, que podem compensar com redução de descontos ou ajustes em estratégias comerciais.
Além do reajuste anual, o consumidor poderá enfrentar novas mudanças nos preços ao longo de 2026. Isso porque está em análise na CMED um ajuste adicional relacionado ao retorno da cobrança de PIS/Cofins sobre alguns medicamentos atualmente isentos.
“O reajuste de abril é o regulatório anual, mas mudanças tributárias podem gerar aumentos adicionais ao longo do ano”, alerta Rangel.
Último reajuste
No ano passado, os medicamentos tiveram o mesmo reajuste médio desde 2018. Embora o teto de reajuste tenha ficado em 5,06%, equivalente à inflação oficial acumulada nos 12 meses até então, esse percentual só incidiu sobre cerca de 7% dos remédios.
Para calcular o reajuste dos medicamentos, a CMED diz que considera primeiramente a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de março do ano anterior a fevereiro do ano atual.