Cidades
Publicado em 13/03/2026, às 14h30 Elí Bernardo, BNews Natal Elí Bernardo
O mais recente caso de ataque de Pitbull a um idoso em Extremoz, receandeu o debate sobre a responsabilidade dos tutores, agressividade dessa raça e outras de grande porte e a proteção das vítimas.
Para entender essas questões, o BNews Natal acionou o adestrador de cães, Erivonaldo Pinheiro, para uma entrevista sobre o tema.
No caso que vitimou seu Francisco Paulo da Silva, de 63 anos, a Polícia investiga seu pitbull teria sido solto pela tutora, se foi um crime premeditado e até se tem relação com xenofobia e racismo.
A forma como o animal é criado influencia no comportamento dele?
O adestrador Erivonaldo explicou que além da conduta do animal, outras característica do comportamento de cada raça devem ser observadas e apontam para agressividade ou não.
A criação influi, mas a genética também, o temperamento do animal. Se você cria um animal e não proporciona a ele gasto de energia, tanto física quanto mental, isso aí vai influenciar no comportamento do animal", destacou Erivonaldo.
"O maior problema que acontece hoje com os pitbulls é justamente isso. É um animal extremamente atlético e que se ficar confinado, termina entrando em estresse por não fazer exercício, não ocupar a mente e aí pode ele agredir. Não só o pitbull, mas outros cães também”, explicou.
Ataques desse tipo de cão tem crescido por todo o Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, por meio do sistema DataSUS, as hospitalizações por mordidas desses animais passaram de 949 casos em 2020 para 1.361 no ano passado, um crescimento de 43,41%.
O aumento das ocorrências reforça o alerta para riscos à saúde pública e para a necessidade de políticas de prevenção e de guarda responsável de animais.
Como proceder para evitar que os animais se tornem agressivos?
Sobre esse ponto, o especialista orienta a planejar e praticar atividades com os cães, principalmente com os de grande porte, para que eles gastem energia.
“Fazer passeios diários com o cão ajuda ele gastar energia. Para fazer esse passeio, você tem que ter dado a educação prévia para ele e usar o equipamento adequado. No caso dos Rottweiler, Pitbulls e Cães de Grande Porte, o que a lei diz é que eles têm que andar com o colar, certo? Aquele que o pessoal chama vulgarmente de enforcador. Isso ajuda a ter um controle e uma guia de boa qualidade para não rebentar”, orientou o adestrador.
Como se proteger diante de um pitbull solto, em uma situação de risco?
A resposta surpreendente do adestrador Erivonaldo Pinheiro, é que nessa situação o primordial é manter a calma entre outras atitudes:
“Tente ficar o mais calmo possível. Quase na maioria das vezes, o cão vai cheirar e vai sair fora, vai embora, vai procurar outra pessoa ou alguma coisa que esteja em movimento, pois o movimento vai atingir o instinto de caça dele e ele vai tentar pegar. Se você gesticular ou olhar fixamente nos olhos dele, vai ser um desafio para ele e ele vai te pegar também”, explicou o adestrador.
Se o cão atacar a vítima?
“Se ele está mordendo você, você vai tentar usar de algum objeto que funciona como um colar, para tentar fazer asfixia mecânica, ou como um golpe de jiu-jitsu, um mata-leão ali, para que ele abra a boca, perca o ar e você possa se libertar”, concluiu o expecialista.
Agressividade x responsabilidade do tutor
Em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, o médico veterinário Nirley Formiga, também presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (CRMV/RN), detalhou que a maior parte dos casos já acompanhados pela entidade envolvendo ataques de cães estão associados a falhas na guarda do responsável.
“A literatura científica indica que o comportamento agressivo em animais, especialmente cães, está muito mais relacionado ao manejo, socialização, treinamento e ambiente em que o animal é criado do que propriamente à raça. Qualquer animal pode apresentar comportamento agressivo quando exposto a situações de estresse, medo, dor ou manejo inadequado”, explicou o presidente do CRMV/RN.