Polícia
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte realizou uma operação para investigar a morte de Francisco Paulo da Silva, atacado por um pit bull, com foco na tutora do animal, Laís da Cunha Oliveira Galindo, que foi presa sob suspeita de ter provocado o ataque intencionalmente.
A mudança na investigação ocorreu após a irmã da suspeita apresentar evidências, incluindo mensagens que sugerem que o ataque pode ter sido deliberado, além de indícios de motivação racista ou xenofóbica.
A Justiça manteve a prisão temporária de Laís e a investigação continua, com novos elementos sendo analisados, incluindo a demora no acionamento do socorro médico após o ataque, enquanto a família da vítima busca justiça e assistência jurídica.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte realizou na manhã desta quinta-feira (12) uma operação de buscas em imóveis ligados à Laís da Cunha Oliveira Galindo, de 23 anos, mulher investigada no caso do ataque de um pitbull que terminou com a morte de um trabalhador na Grande Natal.
As diligências começaram nesta semana, com apoio de bombeiros e cães farejadores, que indicaram pontos de interesse em terrenos e residências localizados nos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, locais onde a suspeita já teria morado. A área deverá ser limpa para novas escavações nos próximos dias.
Segundo a polícia, o objetivo é encontrar elementos que possam ajudar a esclarecer completamente as circunstâncias da morte de Francisco Paulo da Silva, trabalhador que morreu após ser atacado pelo animal na última sexta-feira (6); e ainda, da suspeita de assassinato de ao menos três homens que teriam sido enterrados em uma das antigas casas onde morou Laís Galindo, em Ceará-Mirim.
Caso deixou de ser tratado como acidente
O episódio inicialmente foi registrado como um possível acidente envolvendo o cão da raça pitbull.
No entanto, novas informações recebidas pelos investigadores levaram a Polícia Civil a mudar a linha de apuração.
A principal suspeita é Laís da Cunha Oliveira Galindo, de 23 anos, tutora do animal.
Ela foi presa no último domingo (8) e teve a prisão temporária mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada na segunda-feira (9). O mandado de prisão tem validade inicial de 30 dias.
A investigação agora apura a possibilidade de que o ataque tenha sido provocado de forma intencional.
Denúncia partiu da irmã da suspeita
A mudança no rumo das investigações ocorreu após a irmã da suspeita procurar a polícia e apresentar mensagens, áudios e capturas de tela de conversas que teriam sido enviadas pela investigada.
O material levantou suspeitas de que o cachorro teria sido solto deliberadamente para atacar o trabalhador.
Entre os conteúdos entregues aos investigadores há mensagens atribuídas à suspeita em que a vítima é chamada de “verme” no momento em que realizava o serviço de limpeza no quintal da residência.
Também foi apresentado um áudio em que a mulher teria afirmado ter vontade de matar homens.
Trabalhador havia sido contratado para limpar o quintal
No dia do caso, Francisco Paulo da Silva havia sido contratado para cortar mato no quintal da residência da suspeita.
De acordo com a polícia, no momento do ataque apenas a vítima e a proprietária do imóvel estavam no local.
Francisco tinha 63 anos, morava no bairro das Rocas, na Zona Leste de Natal, e continuava trabalhando mesmo após a aposentadoria. Segundo relatos de moradores, ele era bastante conhecido na comunidade.
Suspeita de motivação racista também é investigada
Outro ponto que passou a ser analisado pelos investigadores é a possibilidade de que o crime tenha sido motivado por racismo ou xenofobia.
Segundo a delegada Anna Beatriz Alves, uma mensagem enviada pela suspeita a uma irmã chamou atenção.
Logo após a chegada do trabalhador ao local, ela teria escrito: “o verme chegou”.
Durante questionamentos feitos por policiais, a investigada teria relacionado o termo à cor da vítima, o que levantou a hipótese de motivação racista.
Demora para acionar socorro também é investigada
Outro elemento considerado relevante na investigação é o tempo que teria sido levado para acionar o atendimento médico após o ataque.
Segundo informações apuradas pela polícia, a suspeita manteve troca de mensagens com familiares enquanto a vítima ainda estava ferida no local.
De acordo com a delegada, houve um intervalo de aproximadamente 20 minutos entre a comunicação com familiares e o acionamento do socorro.
Pontos que estão sendo investigados
– possibilidade de que o animal tenha sido solto intencionalmente
– mensagens e áudios enviados pela suspeita
– possível motivação racista ou xenofóbica
– tempo de acionamento do socorro após o ataque
A investigação segue em andamento e novas diligências poderão ser realizadas nos próximos dias para esclarecer completamente o que aconteceu no imóvel onde ocorreu o ataque.
Família de trabalhador morto por pit bull faz protesto e cobra justiça
Parentes e amigos de Francisco Paulo da Silva realizaram um protesto na tarde desta segunda-feira (9) em Natal para pedir justiça pela morte do idoso, vítima de um ataque de cão da raça pit bull ocorrido na última sexta-feira (6), no município de Extremoz, na Região Metropolitana da capital.
A manifestação ocorreu nas proximidades da Central de Custódia do Judiciário, no bairro da Ribeira, onde acontecia a audiência de custódia da mulher apontada como tutora do animal.
A investigada, Laís da Cunha Oliveira Galindo, havia sido presa no domingo (8) sob suspeita de ter provocado a situação que resultou na morte do trabalhador. Após a audiência, a Justiça decidiu manter a prisão temporária.
Família afirma que ataque aconteceu após término do serviço
De acordo com familiares, Francisco havia sido contratado para realizar um serviço de limpeza no quintal da residência da suspeita.
Segundo relatos, o ataque ocorreu já no momento em que o trabalhador teria concluído o serviço.
O homem sofreu um ferimento grave na perna durante o ataque e não resistiu aos ferimentos, morrendo ainda no local.
Familiares prometem buscar justiça
Mesmo abalados com a tragédia, parentes afirmam que pretendem levar o caso adiante na Justiça.
Uma das filhas da vítima contou que a família já procurou assistência jurídica para acompanhar o processo.
Já estamos com um advogado, que abraçou a nossa causa e, apesar de no início não conseguirmos falar, hoje já estamos prontos e com força para lutar pela justiça da morte do meu pai”, declarou.
Francisco Paulo deixou esposa e dois filhos.
Testemunhas relatam pedidos de socorro
De acordo com familiares, pessoas que estavam nas proximidades do local do ataque afirmaram ter ouvido pedidos de ajuda do trabalhador enquanto ele ainda estava ferido.
A família também sustenta que houve demora no acionamento do socorro médico após o ataque do animal.
Esse ponto também passou a ser analisado no curso da investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
Novos elementos levaram à prisão da suspeita
A prisão da investigada ocorreu após a polícia receber novas informações consideradas relevantes para o caso.
Segundo a Polícia Civil, uma testemunha procurou os investigadores e apresentou materiais que podem indicar que a situação teria sido provocada de forma intencional.
Material entregue à polícia
– fotos
– áudios
– capturas de tela de conversas
De acordo com a nota divulgada pela corporação, os conteúdos encaminhados sugerem que o episódio pode ter sido motivado por razões xenofóbicas ou racistas.
A investigação segue em andamento para esclarecer completamente as circunstâncias da morte do trabalhador.
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