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Publicado em 23/10/2026, às 09h04 Reprodução: Internet Redação
Pacientes com tipos específicos de câncer de pulmão e de mama passam a contar com novas opções terapêuticas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As autorizações contemplam o Emrelis, destinado a determinados casos de câncer de pulmão avançado, e o Poherdy, indicado para pacientes com câncer de mama HER2-positivo, tanto em estágio inicial quanto metastático.
As decisões envolvem medicamentos com indicações distintas e critérios específicos para utilização. No caso do Emrelis, a aprovação considera a presença de uma proteína nas células tumorais e os tratamentos já realizados pelo paciente.
Já o Poherdy poderá integrar esquemas terapêuticos associados a outros medicamentos, inclusive nas etapas anteriores e posteriores à cirurgia para câncer de mama.
Terapia para câncer de pulmão mira proteína presente nos tumores
O Emrelis, cujo princípio ativo é o telisotuzumabe vedotina, foi autorizado para adultos com câncer de pulmão de células não pequenas do tipo não escamoso. O tratamento é destinado a pacientes com doença localmente avançada ou metastática, tumores com EGFR do tipo selvagem e alta expressão da proteína c-Met, que já tenham recebido terapia sistêmica.
O diferencial do medicamento está na forma como atua sobre as células cancerígenas. Segundo a Anvisa, o composto reconhece a proteína c-Met e se liga a ela na superfície das células tumorais. Depois de ser absorvido pela célula, libera a monometilauristatina E, substância que provoca a morte celular.
Essa abordagem permite direcionar a ação terapêutica a tumores que apresentam determinadas características moleculares. Por isso, a indicação não abrange indistintamente todos os pacientes com câncer de pulmão.
Resultados clínicos indicaram redução dos tumores em parte dos pacientes
A decisão da agência reguladora levou em consideração um estudo com pessoas que já haviam sido submetidas a tratamentos contra o câncer de pulmão de células não pequenas.
Na população avaliada, o Emrelis alcançou uma taxa de resposta objetiva de 29,2%. Entre os participantes cujos tumores apresentavam alta expressão de c-Met, o índice foi de 34,5%.
A taxa de resposta objetiva corresponde à proporção de pacientes que apresentaram redução do tumor conforme os critérios utilizados no estudo. O resultado, portanto, não representa uma taxa de cura nem garante a mesma resposta para todos os pacientes.
De acordo com a Anvisa, também foram observadas respostas duradouras e benefícios clínicos. Os achados são relevantes especialmente para pessoas cuja doença continua avançando após tratamentos anteriores e que dispõem de alternativas terapêuticas mais restritas.
Doença representa a maioria dos diagnósticos de câncer de pulmão
O câncer de pulmão de células não pequenas responde por aproximadamente 85% dos casos da doença. Dentro desse grupo, cerca de 70% correspondem ao subtipo não escamoso, conforme os dados apresentados pela Anvisa.
A situação é particularmente desafiadora quando o tumor já se espalhou para outras partes do organismo ou atingiu um estágio localmente avançado. Nessas condições, o prognóstico tende a ser desfavorável, e as opções disponíveis podem diminuir após a utilização de quimioterapia e imunoterapia.
A aprovação do Emrelis acrescenta uma alternativa para um grupo selecionado de pacientes, cuja elegibilidade depende das características do tumor e do histórico terapêutico.
Poherdy amplia opções para câncer de mama HER2-positivo
Outra autorização concedida pela Anvisa envolve o Poherdy, medicamento à base de pertuzumabe. O registro contempla o tratamento de câncer de mama HER2-positivo em situações metastáticas e em estágios iniciais da doença.
Para pacientes com câncer metastático ou localmente recorrente que não pode ser operado, a indicação prevê a associação do medicamento com trastuzumabe e docetaxel. O esquema é destinado a pessoas que ainda não receberam tratamento com medicamentos anti-HER2 ou quimioterapia para a doença metastática.
A classificação HER2-positivo identifica tumores que apresentam níveis elevados da proteína HER2, envolvida no crescimento celular. Essa característica é importante para definir quais terapias direcionadas podem ser utilizadas no tratamento.
Tratamento pode ocorrer antes ou depois da cirurgia
Nos casos de câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial, o Poherdy também poderá ser incorporado a tratamentos combinados com trastuzumabe e quimioterapia. A indicação depende do estágio da doença e do risco de recorrência.
O uso neoadjuvante, realizado antes da cirurgia, contempla pacientes com tumores localmente avançados, inflamatórios ou em estágio inicial que apresentem alto risco de retorno da doença.
Já o tratamento adjuvante é administrado após a cirurgia e tem como público pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial e elevado risco de recorrência.
As duas modalidades fazem parte de estratégias terapêuticas que podem combinar cirurgia e medicamentos para controlar a doença. A definição do esquema mais adequado depende da avaliação individual de cada paciente e das características clínicas do tumor.