Zé Galado
Zé Galado descobriu que uma socialite bastante conhecida nos círculos sociais da capital estaria se destacando como uma espécie de intermediária entre empresários e políticos. Circula por festas, restaurantes e eventos e, aparentemente, conhece todo mundo. Dizem que ela conhece gente de todos os lados e que uma conversa com a bonita pode render bons contatos — e, quem sabe, alguns negócios.
O prefeito de Nísia Floresta, Gustavo Santos, não parece ter constrangimento em mudar de palanque. Em maio, recebeu Álvaro Dias, declarou apoio ao candidato do próprio PL e saiu de braços dados com o palanque bolsonarista. Três meses depois, resolveu trocar de endereço e anunciou apoio a Allyson Bezerra, do União Brasil.
Ivan Baron, conhecido por subir a rampa do Planalto ao lado de Lula na posse, entrou na campanha com o pé esquerdo. Agora candidato a deputado estadual, resolveu apostar na inteligência artificial. O rapaz apareceu em imagens geradas ao lado de ninguém menos que Beyoncé, Xuxa, Flávio Bolsonaro e até Jair Bolsonaro. Uma salada ideológica tão completa que só faltou o algoritmo incluir o Papa para fechar o álbum. Percebendo a pequena “besteira”, apagou as imagens. Mas, como se sabe, na internet o print é eterno. E o TRE também não esquece.
Karlo Rodrigo Lúcio Vieira queria aparecer na urna simplesmente como “Rodrigo Bolsonaro”, embora nem ele nem os pais tenham o sobrenome Bolsonaro e não exista parentesco com o ex-presidente. O TRE-RN achou a ideia ousada demais, mas resolveu dar uma colher de chá: proibiu o “Rodrigo Bolsonaro”, mas liberou o “Rodrigo de Bolsonaro”.
O TRE resolveu liberar também a versão petista do negócio. “Cadu de Lula” e “Samanda de Lula” foram autorizados pela Justiça Eleitoral, sob o argumento de que a preposição deixa claro que a ligação é política, e não familiar. Ou seja: não é filho, irmão, primo nem parente. É só “de”.
A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Natal parece ter deixado mais do que anúncios e agendas oficiais. Nos bastidores da política potiguar, já há quem avalie que a visita deu novo fôlego à campanha de Cadu na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte este ano. A aproximação com o presidente e a movimentação política em torno da agenda presidencial teriam animado aliados e reforçado a estratégia de Cadu para a corrida eleitoral.
E a história pode ganhar novos capítulos. A informação que circula nos bastidores é de que Lula ainda deverá fazer mais duas aparições no Rio Grande do Norte ao longo da campanha. Se confirmadas, as novas visitas prometem esquentar ainda mais a disputa e mexer no tabuleiro eleitoral potiguar. Por enquanto, tudo é tratado nos bastidores. Mas, em ano de eleição, uma visita presidencial pode valer — e muito — no jogo político.
Zé Galado já sabe que a estratégia política de Lula começa a ganhar contornos mais claros no Nordeste. O presidente está evitando desembarcar em estados da região onde dois ou mais candidatos disputam abertamente o seu apoio. A cautela atinge principalmente Pernambuco, Paraíba e Maranhão, onde o palanque presidencial pode acabar virando motivo de saia-justa entre aliados. A estratégia é simples: evitar escolher um lado antes da hora e, com isso, reduzir o desgaste e os conflitos entre grupos que apoiam o governo, mas estão em campos diferentes nas eleições estaduais. Nos meios políticos, a leitura é de que Lula prefere preservar a unidade da base e deixar a disputa local amadurecer antes de entrar de corpo e alma nos palanques. Por enquanto, o presidente parece seguir a máxima de que, quando há muitos querendo o mesmo abraço, é melhor não abraçar ninguém primeiro.
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