Política
A vitória de Cadu de Lula no Rio Grande do Norte consolidou o Partido dos Trabalhadores (PT) como uma força estadual concentrada no Nordeste e garantiu à legenda quatro governos nas eleições de 2026. Único petista a vencer uma disputa de segundo turno para governador neste domingo (25), o candidato superou Allyson Bezerra (União Brasil) por 32.625 votos e assegurou a continuidade do partido no comando do estado.
Cadu recebeu 1.073.024 votos, o equivalente a 50,77% dos votos válidos, contra 1.040.399 votos de Allyson, que alcançou 49,23%. Os números foram confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a apuração das 8.115 seções eleitorais potiguares.
O resultado também definiu o mapa dos governos estaduais petistas para o próximo mandato. Além do RN, a sigla comandará a Bahia, com Jerônimo Rodrigues; o Ceará, com Elmano de Freitas; e o Piauí, com Rafael Fonteles. Todos os quatro estados estão localizados na região Nordeste.
A vitória de Cadu ganhou peso diante do resultado do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, Allyson havia terminado na liderança, com 733.809 votos, correspondentes a 36,94% dos válidos. O candidato petista ficou em segundo lugar, com 718.300 votos, ou 36,16%.
A diferença inicial de 15.509 votos a favor de Allyson foi revertida na etapa decisiva. Com a mudança no resultado, Cadu assumirá o governo potiguar em 2027 e permanecerá no cargo até 2030, sucedendo a governadora Fátima Bezerra, também do PT.
Auditor fiscal de carreira e ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu contou com o apoio de Fátima e do presidente Lula durante a campanha. A vitória preserva o comando do Executivo estadual nas mãos da legenda, que mantém sua presença regional concentrada no Nordeste.
A disputa potiguar não foi a única em que o PT esteve presente no segundo turno para governador. No Distrito Federal, Leandro Grass, candidato da legenda, foi derrotado por Celina Leão, do Progressistas (PP). Com isso, Cadu se tornou o único candidato petista vitorioso entre os seis governos estaduais definidos na votação deste domingo.
O resultado mantém o Nordeste como o principal reduto estadual do partido. Dos nove estados da região, quatro serão administrados por governadores petistas. Os outros cinco ficaram distribuídos entre o Partido Social Democrático (PSD), vencedor no Maranhão, em Pernambuco e em Sergipe; o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), eleito em Alagoas; e o Progressistas (PP), que conquistou a Paraíba.
No cenário nacional, o PT terminou empatado com o PP e o Republicanos, cada um com quatro governos estaduais. O Partido Liberal (PL) conquistou seis estados, enquanto o PSD ficou com cinco. O PSDB, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e o Podemos completaram a distribuição das 27 unidades da Federação.
A quantidade de governos conquistados pelo PT não representa, sozinha, a dimensão dos apoios políticos ligados a Lula nas eleições estaduais. No Amazonas, por exemplo, Omar Aziz, do PSD, venceu Professora Maria do Carmo, do PL, com apoio do presidente. Apesar da proximidade política com Lula, a vitória amazonense entra na contagem do PSD, partido ao qual Aziz é filiado.
No RN, Lula obteve uma vantagem proporcionalmente maior do que a registrada por Cadu. O presidente recebeu 1.413.596 votos, ou 65,72% dos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro, do PL, somou 737.409 votos, equivalentes a 34,28%.
A diferença evidencia que o desempenho de Lula nas urnas potiguares foi mais expressivo do que o de seu aliado na disputa pelo governo estadual. Cadu venceu por 1,54 ponto percentual, resultado que encerra a sucessão de Fátima Bezerra e mantém o RN entre os estados governados pelo PT a partir de 2027.
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