Política

União Europeia aprova acordo com o Mercosul após mais de 25 anos de negociações; veja o que muda para o Brasil

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Após mais de 25 anos de negociações, a União Europeia aprova acordo com o Mercosul, abrindo novas oportunidades comerciais  |   BNews RN - Divulgação Reprodução internet
BNews Natal

por BNews Natal

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Publicado em 09/01/2026, às 10h50



Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações, o que pode resultar na maior área de livre comércio do mundo, conectando os mercados europeu e sul-americano.

Apesar do apoio majoritário, a resistência de agricultores e governos, como o da França, se concentra nas preocupações sobre os impactos econômicos e ambientais do tratado, especialmente no setor agrícola europeu.

Com a aprovação política, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve assinar o acordo no Paraguai na próxima segunda-feira, enquanto medidas de proteção ao setor agrícola estão sendo discutidas para mitigar as preocupações levantadas.

Resumo gerado por IA

Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters.

A formalização do resultado, no entanto, ainda depende do envio das confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil).

A sinalização positiva representa um avanço decisivo após mais de 25 anos de negociações e abre caminho para a assinatura do tratado nos próximos dias.

Apesar do apoio majoritário entre os Estados-membros, o acordo segue cercado por forte resistência de agricultores europeus e de governos como o da França, que manifestaram preocupação com impactos econômicos e ambientais.

Com o aval político do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai. Se concluído, o tratado poderá dar origem à maior área de livre comércio do mundo, conectando os mercados europeu e sul-americano.

O que prevê o acordo UE–Mercosul

De forma geral, o acordo comercial estabelece a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além da criação de regras comuns para o comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Para o Brasil — maior economia do Mercosul — o tratado amplia o acesso a um mercado estimado em 451 milhões de consumidores, com impactos que extrapolam o agronegócio e alcançam diversos setores da indústria nacional.

Mais de duas décadas de negociações

Em discussão desde 1999, o acordo entrou em sua fase decisiva após reunião do Conselho da União Europeia, realizada nesta sexta-feira em Bruxelas. Mesmo diante da oposição declarada de alguns países, a Comissão Europeia conseguiu reunir apoio suficiente entre os 27 Estados-membros.

Para que o tratado avançasse, era necessário o voto favorável de pelo menos 15 países, que juntos representassem 65% da população do bloco — condição que foi alcançada, segundo fontes diplomáticas.

Resistência de agricultores e governos

A aprovação ocorreu apesar da oposição de países como França, Irlanda, Hungria e Polônia. A principal preocupação desses governos está relacionada ao impacto do acordo sobre o setor agrícola europeu.

Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votaria contra o tratado.

A aprovação ocorreu apesar da oposição de países como França, Irlanda, Hungria e Polônia.
A aprovação ocorreu apesar da oposição de países como França, Irlanda, Hungria e Polônia.

Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE–Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, afirmou em comunicado.

Entre agricultores franceses, o receio é de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e produzidos sob padrões ambientais considerados menos rigorosos do que os exigidos pela União Europeia.

A Irlanda também se posicionou contra o texto. O primeiro-ministro Simon Harris declarou que o país não apoia o acordo “da forma como foi apresentado”, alinhando-se à resistência liderada pela França.

Itália teve papel decisivo

A expectativa em torno do desfecho do acordo ganhou força ao longo da semana após sinais de que a Itália poderia votar favoravelmente. A posição de Roma foi considerada estratégica para destravar a aprovação.

A primeira-ministra Giorgia Meloni condicionou o apoio italiano à adoção de medidas de proteção ao setor agrícola.

Nos últimos dias, a Comissão Europeia propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores, iniciativa classificada por Meloni como um “passo positivo e significativo”.

Na mesma linha, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia passou a discutir o aumento — e não a redução — dos recursos voltados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034, reforçando o ambiente político favorável à aprovação do tratado.

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