Política
Publicado em 23/06/2026, às 07h10 Malu Machado
O vice-governador do Rio Grande do Norte e presidente estadual do MDB, Walter Alves, subiu o tom contra os ex-aliados do PT e revelou os bastidores da sua decisão de não assumir o comando do Executivo estadual em abril deste ano.
Em entrevista ao programa Meio Dia RN, da rádio 96 FM, nesta segunda-feira (22), Walter acusou o PT de tentar "aniquilá-lo" politicamente e de trabalhar ativamente nos bastidores para esvaziar sua pré-candidatura a deputado estadual e destruir a nominata proporcional do MDB.
Ao ser questionado sobre a articulação petista para reduzir sua força no interior do estado, Walter foi direto:
Procede. Trabalha. É o trabalho do não voto, de quebrar nominata. Mas guerra é guerra, meu amigo. Eu estou pronto para a guerra [...] Quiseram me aniquilar da política. Eu não vou. Eu vou recomeçar.”
No entanto, Walter garantiu que o MDB chega forte para a disputa à Assembleia Legislativa em 2026 e destacou o peso de sua base de apoio atual. “Não é todo mundo que tem 40 prefeitos”, provocou, citando nomes competitivos do partido na nominata, como o ex-prefeito de Assú, Ivan Júnior, e o ex-deputado federal Antônio Jácome. A meta da legenda é eleger dois deputados diretamente e brigar por uma terceira vaga nas sobras.
Walter aproveitou o espaço para justificar, com dados detalhados, o motivo de ter desistido de assumir o governo quando a governadora Fátima Bezerra (PT) planejava renunciar para disputar o Senado. Segundo ele, relatórios técnicos do MDB nacional e do Tesouro Nacional apontaram um cenário financeiro "inviável".
Entre os números alarmantes citados pelo vice-governador, estão:
É uma bomba fiscal que iam jogar no meu colo. Eu teria o quê? Seis meses para desmontar essa bomba. Como? Nem um super-homem. Impossível", desabafou.
Ele ressaltou ainda que, se assumisse, herdaria uma greve imediata do funcionalismo por falta de pagamento de reajustes. Filho do ex-governador Garibaldi Alves Filho, Walter admitiu o medo de manchar o legado familiar caso assumisse o caos fiscal: “O cidadão ia dizer o seguinte: ‘Seu pai foi um grande governador e você foi um dos piores’.”
Walter procurou se distanciar da gestão atual, afirmando que o MDB apenas ajudava a atrair recursos federais e não participava da equipe econômica ou do comitê gestor. Para ele, o blá-blá-blá acabou: "O próximo governador vai ter que fazer um choque de gestão para valer".
Agora posicionado firmemente na oposição após se aliar ao pré-candidato Allyson Bezerra (União), Walter Alves demonstrou extrema confiança na sucessão estadual. O MDB indicou o deputado Hermano Morais para a vaga de vice na chapa de Allyson.
“Eu sinto uma espontaneidade do povo para a eleição do pré-candidato Allyson Bezerra. Ele caiu na graça do povo. Hoje, baseado nas pesquisas e nas pesquisas internas do MDB, é uma eleição de primeiro turno”, cravou o emedebista.
Para o Senado, o vice-governador reafirmou que o compromisso do MDB é com a reeleição de Zenaide Maia (PSD). Contudo, sobre quem receberá o segundo voto para o Senado dentro do grupo político oposicionista, ele preferiu manter o mistério: “Pode ter surpresas aí”, concluiu.
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