Política
Uma nova pesquisa nacional realizada pelo instituto PoderData, divulgada nesta quinta-feira (4), revela que o Supremo Tribunal Federal (STF) continua enfrentando um cenário de forte resistência e desgaste perante a opinião pública brasileira. De acordo com o levantamento, 46% dos eleitores consideram o trabalho desempenhado pelos ministros da Suprema Corte como “ruim” ou “péssimo”.
Apesar do índice de rejeição permanecer elevado, o tribunal registrou uma oscilação favorável: a taxa negativa recuou 6 pontos percentuais nos últimos dois meses. No mesmo período, a avaliação positiva (“bom” ou “ótimo”) subiu os mesmos 6 pontos, fixando-se agora em 15%.
Analistas apontam que a persistência da percepção pública negativa está diretamente ligada ao protagonismo político assumido pela Corte nos últimos anos. Inquéritos de forte impacto e decisões monocráticas de grande repercussão colocaram o Judiciário no centro dos debates nacionais. Enquanto defensores afirmam que as medidas são fundamentais para blindar as instituições e combater redes de desinformação, críticos argumentam que há um ativismo judicial que extrapola os limites constitucionais.
Esse desgaste é alimentado, ainda, pela constante queda de braço entre o STF e o Congresso Nacional. Projetos de lei e emendas à Constituição que tentam limitar os poderes dos magistrados, frear decisões individuais e até discussões sobre pedidos de impeachment de ministros mantêm os holofotes sobre a Praça dos Três Poderes, arranhando a imagem de neutralidade histórica do tribunal.
A pesquisa joga luz sobre os desafios internos da própria liderança do STF. Atualmente, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, vem enfrentando uma forte e majoritária resistência dos demais colegas de toga para conseguir implementar um inédito Código de Ética interno para o tribunal; uma medida vista por interlocutores como uma tentativa de dar uma resposta institucional de transparência à sociedade.
Com a proximidade do calendário eleitoral, a tendência é que os ministros continuem sob intenso monitoramento da população, já que temas sensíveis e de forte apelo popular devem continuar subindo para o julgamento do plenário.
Os dados do PoderData foram coletados entre os dias 30 de maio e 1º de junho de 2026, por meio de ligações para telefones celulares e fixos. Foram realizadas 2.500 entrevistas em 166 municípios espalhados pelas 27 unidades da Federação. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos próprios do grupo Poder360.
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