Política
A entrega do Complexo Viário 15 de Março em Mossoró, financiado em 60% pela Prefeitura, marca um momento significativo na gestão do prefeito Allyson Bezerra, que aproveitou a ocasião para criticar opositores e destacar a importância da obra para a cidade.
O projeto, que enfrentou desafios como atrasos nos repasses federais e conflitos com concessionárias, representa um investimento de quase R$ 100 milhões, com a prefeitura assumindo a responsabilidade técnica em meio a dificuldades burocráticas.
Apesar do sucesso na entrega, a gestão de Bezerra enfrenta investigações da Polícia Federal e do Tribunal de Contas do Estado por supostas fraudes em licitações, enquanto o prefeito nega as acusações e reafirma sua pré-candidatura ao governo do estado.
O domingo em Mossoró começou com a entrega de uma das obras de infraestrutura mais ambiciosas da gestão atual. Durante a abertura do Complexo Viário 15 de Março, o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) subiu o tom em um discurso que misturou prestação de contas e ataques diretos aos seus opositores. O gestor revelou que a Prefeitura de Mossoró foi a principal financiadora do projeto, arcando com 60% dos quase R$ 100 milhões investidos.
Allyson não poupou palavras ao rebater as críticas sobre a execução do projeto. "Existem aqueles que nunca executaram e aqueles que não suportam o sucesso", disparou. O prefeito detalhou que, apesar de um convênio de R$ 40 milhões ter sido aprovado na gestão de Rogério Marinho como ministro, os repasses do Governo Federal atual estão atrasados.
"Essa obra está sendo entregue hoje com 100% de recurso que foi executado pela Prefeitura de Mossoró e já foi todo repassado. O Governo Federal ainda falta uma parte considerável, em torno de 15 milhões de reais", explicou.
O prefeito descreveu o processo de construção como uma "cruzada" que envolveu desde brigas com empresas de transmissão até impasses com órgãos estaduais. Bezerra afirmou que precisou judicializar a retirada de linhas de energia e que, diante de dificuldades no licenciamento ambiental por órgãos do Estado, a própria prefeitura assumiu a responsabilidade técnica.
"Se porventura alguém não concordar com a obra, se porventura alguém não gostar da obra (...) é muito simples: é só não utilizar a obra. E deixa para o povo de Mossoró utilizar", desafiou Allyson.
A entrega da obra ocorre em um momento estratégico. Recentemente, Allyson usou suas redes sociais para ironizar boatos de que desistiria de sua pré-candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte. Em um vídeo que viralizou, ele apareceu com o brasão do estado no seu tradicional chapéu de vaqueiro, avisando à "turma afobada" que o acessório foi feito para "rodar o estado todo".
Allyson tem focado sua narrativa no binômio Saúde e Infraestrutura, buscando nacionalizar sua imagem como o prefeito que entrega "hospitais funcionando de verdade" e grandes complexos viários, contrastando com as críticas à gestão estadual.
Apesar do clima de festa na entrega do Complexo Viário, a gestão Bezerra vive dias de forte pressão jurídica. O prefeito é alvo da Operação Mederi, da Polícia Federal e CGU, que investiga supostas fraudes em licitações e desvios de recursos na saúde; com suspeitas de propinas que chegariam a 15% sobre contratos de medicamentos.
Além da PF, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) analisa denúncias de favorecimento em licitações de manutenção de equipamentos hospitalares. Allyson nega veementemente todas as acusações, classificando as investigações como técnicas e afirmando que sua conduta é pautada pela legalidade. A solenidade oficial de entrega da obra, marcada para as 17h deste domingo (15), deve ser o palco de novos discursos de defesa e reafirmação de sua pré-candidatura ao Palácio de Despachos.
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