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Saiba quem é Netinho Lins, o produtor de grandes festas escolhido como primeiro suplente de Zenaide Maia

Imagem Saiba quem é Netinho Lins, o produtor de grandes festas escolhido como primeiro suplente de Zenaide Maia
Também chamado de Netinho PicPay, o empresário tem habilidade para capitar grandes patrocinadores para festas públicas e privadas no país  |   BNews RN - Divulgação
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por BNews RN

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Publicado em 21/07/2026, às 17h47



Quem é o ex-cantor paraibano, empresário e produtor cultural que surge inesperadamente no cenário político potiguar como primeiro suplente na candidatura à reeleição da senadora potiguar Zenaide Maia (PSD)? Mais conhecido como Netinho Lins, seu nome verdadeiro é Joaquim Luiz de Araújo Neto -- também chamado de Netinho PicPay. O apelido ele ganhou pela facilidade de capitar grandes patrocinadores para festas públicas e privadas no país, especialmente na região Nordeste.

Fundador e CEO do Grupo DuBem, holding que atua no segmento de entretenimento e promoção de grandes eventos no Nordeste, Netinho Lins possui forte atuação nacional no entretenimento, transitando entre lideranças políticas.

O nome de Netinho, no entanto, não se limita apenas ao cenário artístico. Há pouco anos, por exemplo, configurou em reportagens nacionais que destacaram duas ações policiais de grande repercussão: a Operação Overclean e o caso da venda de uma aeronave do senador Ciro Nogueira, investigada no contexto do Banco Master.

Netinho Lins tem 37 anos, nasceu na Região Metropolitana de João Pessoa e, ainda adolescente, começou a atuar no ramo do entretenimento. Foi cantor e compositor, até se tornar empresário artístico.

Em meios aos políticos, amigos e artistas, é sempre bem cumprimentado e tratado como um lorde. Tem notoriedade desde os tempos em que trabalhou com o cantor Mano Walter. De lá para cá, Netinho Lins chegou a um nível invejável de padrão financeiro. Dizem – inimaginável – devido ao curto espaço de tempo em que atua com o meio artístico.

Entre as atividades que desenvolve com maestria, estão: produção e organização de eventos, venda e gerenciamento de shows, captação de patrocínios, publicidade e ativações de marcas, cenografia, consultoria para artistas e empresas e produção audiovisual.

Em seu portfólio, o Grupo DuBem coleciona a realização e ou/participação em eventos de magnitude, como o São João de Maceió, Mossoró Cidade Junina, festas de Natal e Patos, Festival de Parintins e projetos culturais em outras regiões do país.

Netinho também é descrito como responsável pela aproximação de grandes patrocinadores, como PicPay, Brahma e Esportes da Sorte, com festas públicas e privadas.

Relações políticas de peso e prestígio

Netinho Lins mantém proximidade pública com algumas das principais lideranças do Centrão. Entre eles Hugo Motta (presidente da Câmara dos Deputados), Ciro Nogueira (presidente nacional do Progressistas), Arthur Lira (ex-presidente da Câmara) e Antônio Rueda (presidente nacional do União Brasil).

Essas lideranças estiveram, inclusive, no casamento de Netinho, realizado em 2022 na paradisíaca Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte.

Em abril de 2025, Netinho viajou de Brasília para São Paulo em uma aeronave da Força Aérea Brasileira junto com Hugo Motta. A viagem foi noticiada porque Netinho já havia sido citado em documentos relacionados à Operação Overclean.

A escolha dele para a primeira suplência de Zenaide Maia também é interpretada nos bastidores como uma ponte com o Republicanos, com o setor empresarial e com lideranças nacionais do Centrão. A chapa foi oficializada na convenção da Federação União Progressista.

Operação Overclean e nome em lista da PF

Este é o principal episódio envolvendo o nome de Netinho Lins. Surgiu com a Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e Receita Federal para investigar uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar emendas parlamentares, praticar corrupção e lavar dinheiro. Na ocasião, 59 mandados judiciais foram cumpridos e 16 pessoas foram presas na Bahia, em São Paulo e Goiás.

A primeira fase da operação foi deflagrada no dia 10 de dezembro de 2024. Segundo a Polícia Federal, servidores públicos facilitavam a vitória de empresas previamente escolhidas, que superfaturavam contratos, abrindo caminho para o desvio do dinheiro.

O nome de Netinho apareceu em uma planilha apreendida pela PF. O jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo, escreveu:

"A Polícia Federal identificou mais outro nome que aparece na planilha apreendida na Operação Overclean, que mostra o esquema de fraude em licitações com recursos de emendas parlamentares em 12 estados, de R$ 824,5 milhões. Netinho, que figura como responsável pelo repasse R$ 25,4 milhões para a Paraíba e outros R$ 2,2 mi para Patos é Netinho Lins, cantor paraibano, próximo de Hugo Motta (PP-PB) e Arthur Lira (PP-AL) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Netinho nega participação em esquemas criminosos

À época da deflagração da operação, a defesa de Netinho negou qualquer participação do empresário em esquemas criminosos. Em nota reproduzida pela imprensa, ele declarou que "não atua nem nunca atuou com obras públicas e não recebeu valores provenientes de contratos públicos ou de emendas destinadas à Paraíba ou a Patos".

A nota também sustentou que a própria Polícia Federal teria informado formalmente que não existia investigação contra ele.

Caso do avião de Ciro Nogueira e o Banco Master

Outro episódio recente em que o nome de Netinho Lins aparece envolve a compra de uma aeronave que pertencia ao senador Ciro Nogueira.

Segundo documentos da Agência Nacional de Aviação Civil divulgados pela imprensa, Ciro iniciou em 2023 a venda de um avião Beechcraft B200, por aproximadamente US$ 2 milhões, para o cantor Luan Estilizado e uma empresa ligada a Netinho Lins. O avião, avaliado em cerca de R$ 10 milhões, continuava formalmente registrado em nome do senador.

A aeronave foi bloqueada por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito das investigações sobre as relações de Ciro Nogueira com o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Em junho de 2026, reportagem do UOL noticiou que a Polícia Federal passou a analisar a negociação do avião. A reportagem revelou ainda que, no mesmo período da operação de venda, Daniel Vorcaro teria transferido R$ 1 milhão para uma empresa em nome de Netinho Lins.

Contudo, a reportagem não demonstra que o pagamento tenha sido ilícito ou que Netinho tenha cometido crime.

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