A proposta de criação de uma federação partidária entre o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e o Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta forte resistência interna. Segundo o ex-vereador de Natal Robério Paulino, a maioria das correntes do partido é contrária à ideia de união formal entre as duas legendas.
De acordo com Paulino, que milita na sigla desde sua fundação, o posicionamento predominante dentro do PSOL é de rejeição à proposta de federação com o PT.
A possibilidade de aliança será analisada pelo diretório nacional do PSOL durante reunião marcada para este sábado (7). A expectativa do ex-parlamentar é que a proposta não seja aprovada.
Debate interno divide correntes do partido
Embora exista uma ala favorável à federação, o grupo não representa a maioria da legenda, segundo Paulino. Esse setor é liderado pelo deputado federal licenciado e atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Mesmo com a divergência interna, o ex-vereador afirma que grande parte das correntes partidárias considera a federação incompatível com a identidade política do PSOL.
Para Paulino, a união formal com o Partido dos Trabalhadores poderia comprometer a autonomia do partido e descaracterizar sua trajetória histórica dentro da esquerda brasileira.
Origem do PSOL é argumento contra aliança
O ex-vereador lembra que o Partido Socialismo e Liberdade surgiu justamente como uma crítica aos governos do PT.
A legenda foi fundada entre 2004 e 2005, após a expulsão de parlamentares do PT que se posicionaram contra a reforma da Previdência aprovada durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Paulino, preservar essa independência política é essencial para que o partido mantenha sua capacidade de crítica, inclusive em relação ao atual governo federal.
Peso político do PT preocupa ala do PSOL
Outro ponto levantado pelo ex-vereador é o desequilíbrio político que poderia surgir dentro da federação entre as duas legendas.
Por ser um partido com maior estrutura e representação parlamentar, o PT teria maior influência nas decisões políticas do bloco.
Na avaliação de Paulino, isso poderia reduzir a autonomia do PSOL na definição de posicionamentos e estratégias políticas dentro da eventual federação.