A vereadora de Natal Samanda Alves, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio Grande do Norte, defendeu publicamente o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), para assumir o chamado mandato tampão do Governo do Estado, caso se confirmem as renúncias da governadora Fátima Bezerra (PT) e do vice-governador Walter Alves, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Em entrevista à FM Universitária, Samanda afirmou que a decisão de Walter de não assumir o Executivo estadual abriu uma obrigação política para o PT apresentar um nome para conduzir o governo no período de transição. Segundo ela, o partido não pode se omitir diante do cenário criado.
A dirigente ressaltou que o compromisso do PT está vinculado ao resultado das urnas e ao projeto político eleito. Para Samanda, a recusa do vice-governador rompe um acordo firmado com o eleitorado potiguar.
Compromisso político e defesa de Cadu Xavier
Samanda declarou que, ao anunciar que não assumirá o governo em caso de renúncia de Fátima Bezerra, Walter Alves transferiu ao PT a responsabilidade de indicar um nome para comandar o Estado.
Ela afirmou que o partido tem legitimidade para ocupar o cargo de março até dezembro, com encerramento do mandato em 5 de janeiro de 2027.
Segundo a presidente do PT, Cadu Xavier é trabalhado pelo partido tanto para a eleição indireta, prevista para abril na Assembleia Legislativa, quanto para a disputa direta ao Governo do Estado em outubro. Os eleitos na eleição indireta poderão concorrer à reeleição no pleito regular de 2026.
A eleição indireta ocorrerá caso Fátima Bezerra renuncie para disputar o Senado e Walter Alves confirme a decisão de não assumir o governo. Nesse cenário, deputados estaduais escolherão governador e vice para concluir o mandato.
Decisão de Walter e reação do PT
A decisão de Walter Alves foi formalizada na segunda-feira, 19, durante reunião com Fátima Bezerra. O vice-governador informou que não assumirá o cargo porque pretende disputar uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2026.
Samanda classificou o episódio como um afastamento claro do projeto político que elegeu a atual chapa. Segundo ela, Walter deixou o campo de alianças que sustentou as vitórias de 2018 e 2022.
A presidente do PT afirmou que a governadora foi surpreendida pela decisão, já que havia diálogo recente e nenhuma sinalização prévia de recusa. Ela lembrou que a composição da chapa foi fruto de articulação nacional entre Partido dos Trabalhadores e MDB.
Ruptura política e mudança de campo
Samanda evitou usar o termo traição, mas afirmou que houve mudança unilateral de rumo por parte do vice-governador. Segundo ela, o PT segue no campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Walter passou a se alinhar a forças de oposição no Estado.
Ela destacou que o vice-governador declarou apoio à federação União Progressista, formada por União Brasil e Partido Progressista (PP), além do Partido Social Democrático (PSD), o que representa adesão à pré-candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) ao Governo do Estado.
A dirigente também afirmou que o diálogo entre PT e MDB vinha sendo mantido até recentemente, inclusive sobre governabilidade e composição política após 2026, especialmente na Assembleia Legislativa.
Mandato tampão e riscos institucionais
Ao tratar da possibilidade de eleição indireta, Samanda reconheceu que há riscos para o PT, como a perda do comando do governo em pleno ano eleitoral. Ainda assim, afirmou que o partido não pode se furtar à responsabilidade institucional.
Ela destacou que Fátima Bezerra governa a partir do diálogo com a Assembleia Legislativa e lembrou que, mesmo sem maioria absoluta do PT, o governo conseguiu aprovar pautas com apoio da base aliada, incluindo articulação com o presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira.
Para Samanda, o debate sobre o mandato tampão deve considerar a estabilidade administrativa e a continuidade do projeto político escolhido nas urnas.
Estratégia eleitoral para 2026
Samanda afirmou que o PT trabalha com duas candidaturas prioritárias em 2026, Fátima Bezerra ao Senado e Cadu Xavier ao Governo do Estado. Segundo ela, a eleição de Fátima é estratégica para o projeto nacional do partido.
A dirigente destacou a importância do Senado para a defesa da democracia e da soberania nacional, alinhando a estratégia estadual ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela afirmou que o PT mantém diálogo com um grupo de oito a nove partidos do campo progressista.
Sobre a possibilidade de apoio de Walter Alves à candidatura de Fátima Bezerra ao Senado, Samanda disse que o diálogo não foi rompido, mas deixou claro que o PT seguirá sua estratégia independentemente desse apoio.
Quanto aos cargos ocupados pelo MDB no governo estadual, afirmou que o tema não foi tratado e que a decisão cabe exclusivamente ao Executivo.