Política
O clima de aparente unidade na chapa governista que disputará as eleições de 2026 sofreu um duro revés e implodiu na região do Mato Grande. O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em João Câmara emitiu, na tarde deste domingo (31), uma contundente nota de repúdio contra o ex-deputado e pré-candidato ao Senado, Rafael Motta (Avante). O manifesto é um desdobramento direto de um discurso desastroso proferido pelo parlamentar na noite de sábado (30) no município.
Durante seu pronunciamento público em um ato político na cidade, Rafael Motta declarou abertamente que sua missão política incluía “resgatar a Prefeitura de João Câmara”. A fala caiu como uma verdadeira bomba de efeito retardado nos bastidores, sendo classificada imediatamente como um ato de "fogo amigo". Isso porque o Palácio do Mato Grande é comandado pela prefeita Aize Bezerra, que integra a base aliada e apoia formalmente a chapa governista encabeçada por Cadu Xavier (pelo Governo) e que tem a petista Samanda Alves e o próprio Rafael dividindo as atenções na corrida senatorial.
A insatisfação do grupo político escalou rapidamente e o PT de João Câmara decidiu vir a público para demarcar território e defender a gestão municipal das críticas do próprio aliado de chapa. Na nota oficial de repúdio, os dirigentes petistas locais subiram o tom e alertaram que o pré-candidato agiu de forma desnecessária, criando ruídos e desgastes gratuitos para o arco de alianças liderado pela governadora Fátima Bezerra.
“As falas do pré-candidato a senador não comungam com o pensamento do diretório. O pré-candidato ao Senado, Rafael Motta, deve se policiar em suas falas, principalmente porque tem o apoio da governadora Fátima e do grupo do PT estadual”, disparou o diretório petista de João Câmara em trecho do documento.
O episódio em João Câmara expõe uma ferida que caminha aberta na coligação de esquerda do Rio Grande do Norte. A disputa pela cadeira do Senado transformou-se em um ringue particular e complexo. O bloco governista hoje convive com as pré-candidaturas sobrepostas de Samanda Alves (apadrinhada pela governadora Fátima), do ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates (PT) e de Rafael Motta.
Aliados de Cadu Xavier e de Fátima Bezerra avaliaram nos bastidores que o deslize de Rafael Motta foi um erro tático grave, que enfraquece a costura política com prefeitos do interior e dá munição para a oposição liderada pelo PL explorar as divisões internas do governismo.
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