Política

Prefeitos pressionam deputados para reverter veto da Governadora Fátima e liberar repasses aos municípios

João Gilberto
Prefeitos do Rio Grande do Norte comparecem à Assembleia para discutir a derrubada do veto ao projeto de repasses de ICMS e IPVA  |   BNews RN - Divulgação João Gilberto
Elí Bernardo

por Elí Bernardo

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Publicado em 16/06/2026, às 08h33



Os prefeitos de diversos municípios do Rio Grande do Norte devem comparecer a Assembleia Legislativa para a votação do repasse direto de ICMS e IPVA, que contempla 25 propostas e está prevista para discussão na sessão ordinária na manhã desta terça-feira (16).

O debate mais caloroso deve ficar por conta da apreciação do veto da governadora Fátima Bezerra (PT) ao projeto de lei que garante repasse automático de recursos do ICMS e IPVA aos municípios do Estado.

O presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), José Augusto Rego, confirmou que está mobilizando o comparecimento de prefeitos à Assembleia, para que pleiteiem a derrubada do veto governamental ao projeto, que em 10 de dezembro do ano passado foi aprovado à unanimidade pelos 22 deputados presentes à sessão daquele dia.

O presidente da federação, José Augusto Rego disse que, inicialmente, estava entrando em contato com “aqueles prefeitos de municípios situados mais perto de Natal, para que possam ir ao plenário”, porém, “tem certeza que todos os deputados que votaram a favor do projeto”, vão votar contra o veto da chefe do Executivo, “porque é uma conquista municipalista, independentemente de posição política partidária”.

Por essa razão, José A. Rego, também prefeito de Portalegre, na região Oeste, acha que a pré-campanha de deputados, que são candidatos à reeleição, não vai atrapalhar o processo de discussão do veto:

O embate eleitoral é uma questão secundária. Esse projeto foi aprovado por unanimidade dos deputados, que entenderam a importância, a legalidade da aprovação desse projeto, que foi vetado pelo governo do Estado alegando uma inconstitucionalidade”, afirmou José Augusto Rego.

Ele explicou que depois do veto da governadora, “a gente vinha trabalhando um projeto alternativo, que por sinal, na semana passada foi encaminhado ao governo, para que fosse enviado à Assembleia, mas acredito que com essa demora, foi aprovada a derrubada do veto em duas comissões”, explicou.

“O importante, é isso que nós queremos, que essa solução seja definitiva, esperando que, caso a Assembleia derrube o veto, que o governo acate essa derrubada do veto, que é é uma conquista importante para o municipalismo”, disse o presidente da Femurn.

O dirigente da Femurn disse, ainda, que a instituição sempre procurou o diálogo permanentemente, de maneira republicana e democrática, "mas como com essa demora entendemos que a Assembleia resolveu pautar e caso seja derrubada do veto, todos nós prefeitos e prefeitas aplaudimos essa posição”.

O prefeito de Acari, Fernando Antonio Bezerra, o “Fernandinho” também disse que a presidência da Femurn está acompanhando diretamente o assunto e tem, inclusive, tentado construir alternativas operacionais razoáveis para a efetividade da medida.

“Nosso principal desejo: que o veto seja derrubado e que os repasses para os Municípios atendam a legalidade, celeridade (de forma desburocratizada) e transparência”, contou “Fernandinho”.

O deputado estadual Gustavo Carvalho (PL), autor do projeto, defendeu “a necessidade dos municípios terem seus recursos preservados de acordo com o pagamento que é feito pelo contribuinte”.

Por ocasião da análise da proposta na Comissão de Finanças e Fiscalização, o deputado estadual Coronel Azevedo (PL) disse na quarta-feira (10), que o governo já se apropria de forma indébita dos consignados e começa também a se apropriar indebitamente dos recursos do bolo tributário dos municípios.

Qual é a necessidade que tem o governo de usar esses recursos se não sabe administrar os recursos que tem?”, questionou o deputado.

Já o responsável por relatar a matéria na Comissão de Administração, Serviços Públicos, Trabalho e Segurança Pública, o deputado estadual Taveira Júnior (PSDB) disse que não entendia o porquê do veto, “já que o projeto facilita muito em ver o que é do governo do Estado, que é do governo federal e que é dos municípios”, mas o governo do Estado “segura os recursos para resolver os seus problemas, repassando com dez, 15 e até 20 dias de atraso, deixando os municípios em situação difícil”, argumentou Taveira Júnior.

O veto
Resumindo, o Executivo justificou no veto encaminhado à Assembleia em 31 de março, que a proposição embora parcialmente alinhada à legislação federal, “extrapola o espaço de conformação normativa conferida aos Estados, ao inovar em matéria já disciplinada por lei complemente federal de observância obrigatória”.

Segundo o governo, o projeto “institui modelo rígido de fluxo financeiro, com criação de agente centralizador de arrecadação, exigência de trânsito diário dos recursos, imposição de saldo zero diário em conta centralizadora e vedação absoluta de qualquer trânsito temporário por conta da titularidade do Estado”.

Classificação Indicativa: Livre

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