Política
Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enviou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma carta em que nega participação no grupo chamado “A Turma”, investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
Na correspondência, apresentada ao Supremo nesta terça-feira (22), Henrique afirma que os pagamentos citados na investigação estavam relacionados a negócios imobiliários. Ele também sustenta que não tinha conhecimento de qualquer atuação ligada a ameaças ou intimidações atribuídas ao grupo.
“Se pagavam alguém ou se usavam esse recebimento para qualquer turma ou pessoa, eu não tenho simplesmente nada a ver com isso, não conheço nem sei de turma nenhuma”, escreveu.
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A defesa afirma que Henrique ainda não foi ouvido formalmente e solicitou que a carta seja anexada ao processo como manifestação de autodefesa. O pai de Daniel Vorcaro também pediu ao STF a revogação da prisão preventiva.
Segundo a investigação da PF, “A Turma” seria formada por pessoas que atuavam para obter informações e intimidar adversários de Daniel Vorcaro. Relatórios da corporação apontam ainda para a existência de pagamentos relacionados ao grupo. Henrique, porém, contesta a interpretação dada pelos investigadores aos contatos e às movimentações financeiras.
O caso está sob relatoria de André Mendonça. Em junho, a Segunda Turma do STF manteve, por maioria, a prisão preventiva de Henrique, após analisar decisão do ministro que havia determinado a medida.
Na carta, Henrique também afirma que não deveria ser incluído nas apurações relacionadas ao Banco Master apenas por ser pai de Daniel. Ele diz que possui outros negócios e que era mantido afastado das atividades do banco pelo filho.
“Até entendo os holofotes sobre o Caso Master, mas não queiram me arrastar para dentro disso só porque eu sou pai do Daniel”, escreveu.
Além de contestar as suspeitas, Henrique relatou ao STF problemas de saúde durante o período em que está preso. Segundo ele, houve episódios de diverticulite, dores abdominais e alterações na pressão arterial, além da necessidade de tratamento contínuo com antibióticos.
“Minha vida corre perigo”, afirmou na carta, ao pedir que a prisão preventiva seja revogada.
Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à realização de exames médicos por um especialista que já acompanha o tratamento de Henrique. O órgão afirmou que uma avaliação feita dentro da unidade prisional não apontou situação de urgência, mas não identificou impedimento para a realização dos procedimentos.
O processo também passa por uma fase de indefinição no Supremo. A defesa de Henrique pediu ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que o caso fosse retirado da suspensão determinada durante a crise entre ministros do STF, para que recursos e pedidos relacionados à prisão pudessem ser analisados.
Henrique e Daniel Vorcaro têm depoimentos previstos para 30 de setembro no inquérito que apura a atuação de “A Turma”. A defesa de Daniel, porém, pediu o adiamento da oitiva, alegando que ainda não teve acesso à íntegra dos autos.
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