Política
Publicado em 12/02/2026, às 06h59 Malu Machado
Servidores estaduais enfrentam uma grave crise financeira, estando há sete meses sem poder contratar novos empréstimos consignados devido à falta de repasse do governo ao Banco do Brasil, resultando em cobranças diretas e negativação de crédito.
A dívida do governo com instituições financeiras já ultrapassa R$ 450 milhões, e a presidente do Sindicato dos Servidores, Janeayre Souto, denuncia que a situação é um 'confisco' salarial que afeta diretamente a renda dos trabalhadores.
Em resposta à crise, o deputado Gustavo Carvalho protocolou uma denúncia ao Banco Central e propôs a abertura de uma CPI para investigar a retenção dos valores, enquanto o Sinsp exige a divulgação do calendário de pagamento para 2026, aumentando a ansiedade entre os servidores.
De acordo com denúncia do Sindicato dos Servidores da Administração Direta (Sinsp), os servidores estaduais vivem um cenário de insegurança financeira: estão há sete meses impedidos de contratar novos empréstimos consignados junto ao Banco do Brasil. O bloqueio é reflexo da falta de repasse dos valores descontados em folha pelo Governo do Estado à instituição.
O problema, que se arrasta desde julho de 2025, gera um efeito cascata: mesmo com as parcelas sendo debitadas mensalmente dos salários, o dinheiro não chega ao banco. Como consequência, milhares de servidores estão sendo surpreendidos com cobranças diretas, duplicidade de descontos e, em casos mais graves, a negativação em serviços de proteção ao crédito (SPC/Serasa).
Em pronunciamento recente, a presidente do Sinsp, Janeayre Souto, classificou a situação como um "confisco" salarial para financiar a gestão do Estado. Segundo ela, relatórios apontam que a dívida do governo com instituições financeiras já beira os R$ 450 milhões.
O governo retira do contracheque e não faz o repasse. É assustador. Recebemos servidores chorando no sindicato porque, ao receber o salário, o banco debita a parcela que o Estado não pagou, deixando a conta quase zerada", desabafou a sindicalista.
Apesar de o governo não ter se manifestado oficialmente, o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, já havia admitido os atrasos em agosto de 2025. Na ocasião, ele revelou que o Estado possui 106 mil servidores ativos, dos quais cerca de 50 mil possuem consignações.
O Banco do Brasil detém 82% dessas operações, movimentando aproximadamente R$ 73,5 milhões mensais. Xavier justificou que a prioridade da gestão Fátima Bezerra é manter a folha de pagamento em dia, afirmando que, se os repasses dos consignados fossem regularizados, faltaria dinheiro para os salários. A promessa de quitação feita pelo secretário para dezembro de 2025, no entanto, não foi cumprida.
A crise ganhou consequências jurídicos e políticos na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Gustavo Carvalho (PL) protocolou, no último dia 3 de fevereiro, uma denúncia formal junto ao Banco Central para intervir na conduta das instituições envolvidas. O parlamentar classifica a retenção dos valores como "apropriação indébita" e improbidade administrativa.
Gustavo também propôs a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o destino dos recursos retidos.
Estamos diante de uma falência técnica. O governo castiga o servidor, que paga sua conta, mas acaba inadimplente porque o Estado retém o dinheiro de forma irresponsável", afirmou o deputado.
Além da situação dos consignados, o Sinsp cobra a publicação do calendário de pagamento para 2026. Segundo o sindicato, enquanto outros estados do Consórcio Nordeste já divulgaram suas datas, o Rio Grande do Norte segue sem definições, incluindo o cronograma do 13º salário. A falta de transparência tem gerado ansiedade na categoria, especialmente às vésperas do período de Carnaval.
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