Política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não se deu por vencido após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em conversas reservadas com aliados de primeira linha, o chefe do Executivo garantiu que não aceitou o resultado imposto pelo Legislativo e que insistirá na indicação do atual advogado-geral da União para a Suprema Corte.
No fim de abril, em um revés político sem precedentes para o Palácio do Planalto, o Senado Federal barrou o nome de Messias por 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis. Apesar do baque, Lula tem dito nos bastidores que vai assumir as rédeas da articulação pessoalmente, planejando conversar inclusive com senadores da oposição para reverter o cenário. O governo, contudo, ainda não definiu a data para o reenvio da indicação à Casa.
Nos bastidores, a leitura de Lula é de que o veto a Jorge Messias não teve relação com a capacidade técnica do chefe da AGU, mas sim com uma disputa política ferrenha liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo interlocutores, o Planalto avalia que Alcolumbre atuou ativamente para derrubar o nome governista.
O pano de fundo do conflito é a sucessão da vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso. A cúpula do Senado tinha como franco favorito para a cadeira o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Lula, no entanto, bateu o pé e preferiu escolher Messias — um nome de seu círculo mais íntimo de confiança —, o que acabou gerando um profundo descontentamento na Casa Legislativa e culminando na derrota de abril. Agora, o presidente sinaliza que vai pagar para ver a segunda rodada dessa queda de braço.
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