Política

Lula vê risco para o Pix e critica possível interferência dos EUA após decisão sobre PCC e Comando Vermelho

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A decisão dos Estados Unidos sobre o PCC e CV provoca reações intensas entre aliados de Lula e Flávio Bolsonaro, acirrando o debate político  |   BNews RN - Divulgação Reprodução
Jussier Lucas

por Jussier Lucas

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Publicado em 29/05/2026, às 20h37



A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas provocou reação no Palácio do Planalto e abriu uma nova frente de embate político entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Após o anúncio feito pela administração do presidente Donald Trump, Flávio Bolsonaro afirmou que a medida teria sido influenciada por articulações realizadas durante sua recente viagem aos Estados Unidos. O senador passou a associar a decisão ao debate sobre segurança pública e combate ao crime organizado no Brasil.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio adotou um tom político ao comentar o tema e direcionou críticas ao governo federal. A declaração foi interpretada por aliados do presidente Lula como uma tentativa de capitalizar eleitoralmente a decisão do governo norte-americano.

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Governo avalia impactos econômicos e diplomáticos

Segundo informações divulgadas por O Correio de Hoje, Lula foi informado sobre a medida por auxiliares da área internacional e determinou a realização de estudos para avaliar possíveis impactos econômicos e diplomáticos da classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.

Entre as preocupações levantadas por integrantes do governo está a possibilidade de reflexos em operações financeiras internacionais e em mecanismos de pagamento utilizados no Brasil, como o Pix. O Planalto também avalia os desdobramentos da decisão no campo das relações diplomáticas entre os dois países.

A tendência dentro do governo é reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e rejeitar qualquer tipo de interferência externa em assuntos considerados de competência das autoridades brasileiras.

Aliados de Lula também passaram a criticar a atuação de Flávio Bolsonaro no episódio. O deputado federal Guilherme Boulos questionou publicamente os critérios adotados pelos Estados Unidos para a classificação das organizações criminosas.

Historicamente, a diplomacia brasileira tem defendido que facções criminosas não se enquadram na definição jurídica de grupos terroristas prevista na legislação nacional e nos parâmetros adotados por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

O tema deve continuar no centro do debate político nos próximos dias, diante dos possíveis impactos da decisão norte-americana e das divergências entre governo e oposição sobre a condução da política de segurança pública e das relações internacionais.

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