A lobista Roberta Luchsinger recebeu pelo menos R$ 5,9 milhões entre outubro de 2024 e janeiro de 2025, período em que atuava na intermediação da liberação de recursos federais destinados ao Maranhão. As informações foram reveladas pelo Metrópoles a partir de mensagens e comprovantes de pagamentos.
Segundo a apuração, os recursos negociados envolviam o
Ministério da Saúde e a Casa Civil, além do prolongamento da Avenida Litorânea, em São Luís. A obra integra o Novo PAC e prevê investimento de aproximadamente R$ 235 milhões.
As mensagens mostram que Luchsinger mantinha contato com Pablo Pereira Munhoz, que se apresenta como assessor do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB). Em 30 de outubro de 2024, a EDP Infraestrutura e Pavimentação, ligada ao empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP, realizou cinco pagamentos à RL Consultoria, empresa de Luchsinger, que somaram R$ 2,2 milhões.
A
documentação também registra depósitos em espécie. Um deles, de R$ 650 mil, teve como destino a empresa da lobista. No dia seguinte, foram apresentados comprovantes de três depósitos destinados ao pai de Luchsinger, sendo dois de R$ 200 mil e um de R$ 150 mil. Outros pagamentos também teriam sido feitos durante o período analisado.
Na área da Saúde, mensagens obtidas pela reportagem mostram que, em novembro de 2024, Munhoz encaminhou a Luchsinger documentos relacionados a um repasse de R$ 115,3 milhões para procedimentos de média e alta complexidade no Maranhão. O material foi posteriormente encaminhado por ela a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que ocupava a chefia de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Luchsinger também se apresentava como sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A reportagem, porém, não aponta que Lulinha tenha recebido parte dos R$ 5,9 milhões citados.
Em manifestação citada na apuração, Marcola negou ter intermediado negociações ou atuado em benefício de interesses privados. Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, também negou ter utilizado o cargo para obter vantagens e afirmou que os repasses de recursos seguiram critérios técnicos e legais.