O mandato da vereadora Brisa Bracchi (PT) está no centro de uma das mais graves crises políticas recentes da Câmara Municipal de Natal.
A parlamentar é acusada de usar emenda impositiva de R$ 18 mil para financiar o evento “Rolê Vermelho – Bolsonaro na Cadeia”, realizado em agosto de 2025 na Casa Vermelha, espaço cultural ligado a movimentos de esquerda e apontado como base eleitoral de Brisa e da deputada estadual Isolda Dantas.
A denúncia, apresentada pelo vereador Matheus Faustino, alega uso indevido de recursos públicos para fins político-eleitorais, o que configuraria quebra de decoro parlamentar.
Desde então, o caso evoluiu rapidamente, mobilizando o Ministério Público, a imprensa local e a Câmara Municipal, que abriu oficialmente processo de cassação da vereadora.
18/08/2025 – Pedido de cassação
O vereador Matheus Faustino protocola pedido de cassação de Brisa Bracchi, alegando que a vereadora utilizou verba pública de emenda parlamentar para custear um evento de cunho político-eleitoral, o “Bolsonaro na Cadeia”, realizado na Casa Vermelha.
21/08/2025 – Denúncias ampliadas
Um blog local expõe a relação política entre Brisa Bracchi, Isolda Dantas e a Casa Vermelha, apontando que o espaço, além de ter sediado o evento, também serviu como base eleitoral de ambas nas eleições de 2024.
21/08/2025 – Nova acusação sobre o Réveillon Vermeillon
Outra denúncia revela que Brisa teria destinado R$ 29.600,00 de emenda parlamentar para bancar o Réveillon Vermeillon, também realizado na Casa Vermelha, com cobrança de ingresso após as 17h, o que reforçaria o indício de irregularidade.
27/08/2025 – MP entra no caso
O Ministério Público do Rio Grande do Norte abre um procedimento específico para investigar a destinação irregular de verbas públicas ao evento “Rolê Vermelho”, após uma apuração genérica sobre o uso de emendas parlamentares por vereadores de Natal.
13/10/2025 – Depoimento agrava situação da vereadora
Durante oitiva no MP, o organizador do evento, Geraldo Gondim, admite que o ato tinha caráter político e provocativo, contrariando a versão de que se tratava apenas de um evento cultural. A declaração aumenta a pressão sobre Brisa e reforça a denúncia.
20/08/2025 – Câmara abre processo de cassação
Com 23 votos a favor e 3 contra, a Câmara Municipal de Natal aprova a abertura do processo de cassação contra Brisa Bracchi. Segundo registros da Funcarte, parte da verba pública foi usada para pagar R$ 15 mil à cantora Khrystal, R$ 2.500 à banda Skarimbó e R$ 500 ao DJ Augusto.
Outubro/2025 – Comissão Especial assume o caso
A Comissão Especial formada pelos vereadores Fúlvio Saulo (relator), Anne Lagartixa e Daniel Valença inicia a análise das provas e depoimentos. O relator classifica o caso como “sem precedentes” na história recente da Casa.
Posicionamento de Brisa Bracchi
A vereadora nega as acusações, sustenta que as emendas foram aplicadas dentro da legalidade e que os artistas atuaram de forma colaborativa. Ela afirma ser alvo de perseguição política e que o evento teve caráter cultural e inclusivo, não eleitoral.
Conclusão
O relatório final da comissão deve ser entregue ainda em novembro de 2025. Caso conclua pela procedência da denúncia, o mandato de Brisa Bracchi poderá ser cassado por votação em plenário, exigindo dois terços dos votos.
O caso, que mistura verbas públicas, militância partidária e acusações de desvio de finalidade, segue como um dos episódios políticos mais tensos da Câmara de Natal nos últimos anos.