Política

Intolerância religiosa? Estudantes exigem demissão de professor da UFRN e vereadora denuncia perseguição

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Movimento estudantil exige exoneração de professor por alegações de discriminação contra minorias na UFRN  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Instagram

Publicado em 16/01/2026, às 09h35   Malu Machado



A Universidade Federal do Rio Grande do Norte enfrenta uma polêmica envolvendo o professor Tassos Lycurgo, que é alvo de um abaixo-assinado pedindo sua exoneração devido a acusações de propagar discursos de ódio contra minorias, enquanto ele se defende afirmando ser vítima de perseguição por suas crenças religiosas.

A mobilização contra Lycurgo ganhou força após a divulgação de vídeos em que ele critica a ideologia predominante na universidade e defende princípios cristãos, o que gerou descontentamento entre estudantes que alegam que suas falas ferem a laicidade do ensino e criam um ambiente hostil para minorias.

Em resposta, Lycurgo publicou um vídeo defendendo sua liberdade de expressão e de cátedra, enquanto a Reitoria da UFRN ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, que continua a dividir opiniões entre apoiadores e críticos nas redes sociais.

Resumo gerado por IA

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está no centro de uma polêmica envolvendo Tassos Lycurgo, professor lotado no Departamento de Artes. Tassos se tornou alvo de um abaixo-assinado organizado por coletivos estudantis e centros acadêmicos pedindo sua exoneração.

O conflito ganhou as redes sociais nesta semana. De um lado, grupos de alunos acusam o docente de utilizar sua posição e visibilidade para propagar discursos de ódio contra minorias. Do outro, Lycurgo afirma estar sendo vítima de "perseguição implacável" e intolerância religiosa devido ao seu posicionamento cristão e conservador.

O estopim da discussão

A mobilização contra o professor ganhou força após a circulação de vídeos em que Tassos Lycurgo critica o que chama de hegemonia ideológica dentro da universidade e defende abertamente princípios cristãos.

Em uma de suas publicações recentes, que viralizou, o professor rebateu críticas afirmando que não deixará de falar sobre Deus dentro da instituição. O conteúdo desagradou parte da comunidade acadêmica, que organizou um documento pedindo a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o servidor.

O que diz Abaixo-assinado

O movimento, liderado por Centros Acadêmicos (CAs) de cursos de Humanas e coletivos descritos como de esquerda, alega que a postura do professor fere a laicidade do ensino e cria um ambiente hostil para estudantes LGBTQIA+ e outras minorias.

No texto do abaixo-assinado, os estudantes argumentam que as falas de Lycurgo ultrapassam a liberdade de expressão e configuram discriminação. O grupo pede que a UFRN tome medidas urgentes, sugerindo até a demissão do docente, sob a acusativa de que seus posicionamentos ferem o código de ética da instituição e a dignidade dos alunos.

Em publicação realizada em redes sociais, estudantes criticam os seguintes posicionamentos do docente:

  • Diz que o racismo estrutural é uma “senzala ideológica” que não existe;
  • Compara pessoas trans a pessoas que acham que são animais;
  • Chama o movimento de afirmação identitária da população negra de “negrismo”;
  • Afirma que o veganismo é a porta de entrada para o satanismo. 

A defesa de Tassos Lycurgo

Em resposta à mobilização, Tassos publicou um vídeo em seu perfil no Instagram. Ele classifica o movimento como um ataque à liberdade de cátedra e à liberdade religiosa.

"Estão fazendo um abaixo-assinado para me expulsar da universidade simplesmente porque eu defendo Deus, a família e a liberdade", declarou o professor.

Lycurgo argumenta que a universidade deveria ser um espaço plural, aberto ao debate de ideias, mas que se tornou um ambiente onde conservadores são silenciados. "A perseguição é real. Eles não aceitam o contraditório. Eles falam em democracia, mas agem como tiranos", afirmou em sua defesa, recebendo apoio de políticos e influenciadores conservadores do estado.

A vereadora de Natal, Camila Araújo (União), denunciou o que classificou como uma campanha de difamação e perseguição motivada por intolerância religiosa. 

Repercussão

O caso divide opiniões. Enquanto o abaixo-assinado recolhe assinaturas de alunos e ex-alunos que relatam desconforto com a postura do docente, apoiadores de Lycurgo organizam movimentos de solidariedade nas redes sociais, utilizando a narrativa de que ele é vítima de intolerância por ser cristão.

Até o fechamento desta matéria, a Reitoria da UFRN não havia emitido nota oficial sobre o pedido de exoneração ou sobre os vídeos recentes.

Classificação Indicativa: Livre

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