Política
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, vetou integralmente o Projeto de Lei nº 632/2025, que visava estabelecer novos critérios para o repasse automático de receitas essenciais às prefeituras, reacendendo a disputa política sobre a pauta municipalista.
O projeto, de autoria do deputado Gustavo Carvalho, propunha repasses diários do IPVA e semanais do ICMS, além de aumentar a transparência nas informações arrecadatórias, sendo considerado um marco para o fortalecimento do municipalismo na região.
Com o veto, a Assembleia Legislativa poderá decidir pela manutenção ou derrubada da decisão, o que pode levar a uma judicialização do tema e intensificar o conflito institucional entre o Executivo e os deputados, gerando novas tensões políticas.
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, decidiu vetar integralmente o Projeto de Lei nº 632/2025, aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.
A proposta estabelecia novos critérios e prazos para o repasse automático de receitas fundamentais — como ICMS, IPVA e recursos do Fundeb — às prefeituras potiguares.
O texto buscava enfrentar atrasos recorrentes nos repasses e oferecer maior previsibilidade financeira aos municípios, sem criar despesas adicionais para o Estado.
Ainda assim, o Executivo optou pelo veto total, reacendendo a disputa política em torno da pauta municipalista.
O que previa o projeto vetado
De autoria do deputado Gustavo Carvalho (PL), o projeto detalhava mudanças operacionais nos repasses e ampliava a transparência das informações arrecadatórias.
Entre os principais pontos estavam:
- Repasses diários do IPVA aos municípios;
- Transferências semanais do ICMS;
- Detalhamento de critérios para a distribuição do Fundeb;
- Ampliação da transparência sobre dados de arrecadação estadual.
Durante a tramitação, parlamentares classificaram a proposta como um marco para o fortalecimento do municipalismo no Rio Grande do Norte, justamente por reduzir incertezas no fluxo de caixa das prefeituras.
Argumento jurídico fundamenta veto do Executivo
Ao justificar a decisão, o Governo do Estado sustentou que o projeto incorre em vício de iniciativa. Segundo o entendimento jurídico do Executivo, a Assembleia não pode legislar sobre regras de execução financeira e administrativa do Estado, matéria de competência exclusiva do Poder Executivo.
O veto, portanto, baseia-se no princípio constitucional da separação dos poderes, e não no mérito da proposta, conforme argumenta o governo.
Próximos passos e risco de judicialização
Com o veto integral, o projeto retorna agora à Assembleia Legislativa, que poderá decidir pela manutenção ou derrubada da decisão da governadora. Caso o veto seja rejeitado, a lei poderá ser promulgada pelo próprio Legislativo.
Esse cenário, no entanto, abre caminho para uma possível judicialização do tema, ampliando o conflito institucional entre Executivo e deputados.
Nos bastidores, a expectativa é de um novo embate político em torno da agenda municipalista e da autonomia financeira das prefeituras potiguares.
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