A Rússia afirmou estar pronta para enfrentar um cenário sem um tratado que limite armas nucleares com os Estados Unidos da América (EUA), diante do fim iminente do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), que expira nesta quinta-feira (5) e não deve ser renovado.
O posicionamento foi confirmado pelo governo russo ao reconhecer que não há sinais concretos de avanço nas negociações com Washington para estender o acordo, considerado o último mecanismo de controle dos arsenais nucleares das duas maiores potências do planeta.
Sem expectativa de prorrogação, o encerramento do tratado inaugura uma nova realidade geopolítica, marcada pela ausência de limites legais para ogivas e sistemas estratégicos, algo que não ocorria desde o início da década de 1970.
Silêncio dos EUA e alerta do Kremlin
Nesta terça-feira (3), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que os Estados Unidos da América não responderam à proposta do presidente russo Vladimir Putin de estender as restrições do acordo por mais um ano.
Segundo Peskov, o fim do Tratado New START, pode tornar o mundo mais instável em um curto espaço de tempo, ao retirar mecanismos de transparência e verificação mútua entre as potências nucleares.
A avaliação é compartilhada por autoridades do alto escalão russo, que veem o rompimento do tratado como um fator de aumento das tensões internacionais.
Diálogo travado e risco de corrida armamentista
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, afirmou que o encerramento do acordo é inevitável e destacou que, no momento, não existem condições políticas para retomar um diálogo substancial com os Estados Unidos sobre estabilidade estratégica.
Assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, o Tratado New START entrou em vigor em 2011 e estabeleceu limites rígidos para os arsenais nucleares, incluindo o teto de 1.550 ogivas estratégicas por país e o máximo de 700 vetores, como mísseis intercontinentais, bombardeiros e submarinos nucleares, além de inspeções recíprocas.
Do lado norte-americano, há interesse em incluir a China em um eventual novo acordo, proposta rejeitada por Pequim, que argumenta possuir um arsenal significativamente menor.
Para o ex-presidente russo Dmitry Medvedev, a não renovação do tratado abre caminho para uma nova corrida armamentista global, ao eliminar o último freio formal às armas nucleares das grandes potências.