Política
A base governista, em aliança com partidos do Centrão, rejeitou o relatório final da CPMI do INSS, que pedia o indiciamento de 215 pessoas, incluindo o filho do presidente, resultando em uma derrota significativa para a oposição.
A CPMI, que investigava um esquema de descontos irregulares em aposentadorias, teve sua pauta alterada após mensagens da Polícia Federal que ligavam Lulinha a negócios suspeitos, mas terminou sem um documento formal após sete meses de trabalho.
Apesar da rejeição do relatório, o presidente da comissão anunciou que enviará uma cópia do texto ao STF, à PGR e à Polícia Federal, permitindo que as investigações continuem fora do âmbito legislativo.
Após uma maratona de 15 horas e 30 minutos de sessão, que só terminou na madrugada deste sábado (28), a base governista, articulada com partidos do Centrão, conseguiu impor uma derrota à oposição e rejeitou o relatório final da CPMI do INSS. Por 19 votos a 12, o colegiado decidiu descartar o texto do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), que pedia o indiciamento de 215 pessoas; incluindo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva.
A votação foi o desfecho de uma das comissões mais turbulentas da história recente, marcada por agressões físicas e ofensas entre parlamentares. Com a rejeição, a CPMI chega ao fim após sete meses de trabalho sem um documento formal de conclusão, o que na prática esvazia as punições sugeridas pelo relator.
A divisão no plenário seguiu rigorosamente o alinhamento político. Enquanto a oposição em peso tentou aprovar o texto, a base governista (PT, PSD, Rede e setores do MDB e União) barrou a iniciativa.
A CPMI foi instalada para apurar um esquema bilionário de descontos irregulares em aposentadorias, operado por entidades associativas. No entanto, o foco mudou quando mensagens interceptadas pela Polícia Federal sugeriram que Lulinha poderia ser sócio oculto de Antônio Carlos Camilo (o "Careca do INSS") em negócios de cannabis medicinal e influência em órgãos federais.
Mesmo com a derrubada do texto no Congresso, o presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que enviará uma cópia do relatório rejeitado para o STF, a PGR e a Polícia Federal, para que as investigações criminais sigam de forma independente do Legislativo.
Para os governistas, a rejeição evitou um "justiceirismo" sem provas conclusivas. Já para a oposição, a madrugada deste sábado ficará marcada como uma operação de blindagem da família presidencial. "O crime compensa quando se tem o poder na mão", disparou o relator Alfredo Gaspar após o resultado.
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