Política

Educação em marcha lenta: Governo Lula concluiu apenas 12% das mais de 6 mil obras previstas; entenda

Imagem Educação em marcha lenta: Governo Lula concluiu apenas 12% das mais de 6 mil obras previstas; entenda
Com 2.443 propostas de novas escolas e creches, apenas uma foi finalizada, refletindo a baixa execução financeira do PAC.  |   BNews RN - Divulgação
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 15/03/2026, às 13h26



O setor educacional brasileiro enfrenta um grave atraso na entrega de obras, com apenas 12% das 6.227 iniciativas planejadas pelo governo Lula concluídas até março, exacerbando a crise de vagas nas creches, onde mais de 826 mil crianças aguardam por uma oportunidade em 2025.

A situação é ainda mais crítica no Novo PAC, onde apenas uma das 2.443 propostas de novas escolas e creches foi finalizada, refletindo uma execução financeira de apenas 8% dos R$ 15 bilhões destinados a essas obras.

O Ministério da Educação e o FNDE tentam reverter o cenário com o 'Pacto de Retomada de Obras', mas mais de 1.200 projetos permanecem paralisados, evidenciando a dificuldade das administrações locais em gerenciar e executar as obras, o que impacta diretamente a educação infantil e a inserção das mães no mercado de trabalho.

Resumo gerado por IA

O setor educacional brasileiro enfrenta um gargalo histórico que parece longe de ser resolvido. Dados oficiais revelam que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou apenas 12% das 6.227 obras de educação planejadas até o início de março. O levantamento inclui tanto a construção de novas unidades quanto a tentativa de retomar obras deixadas paralisadas por gestões anteriores.

Enquanto o ritmo de entrega permanece tímido, o déficit de vagas pressiona as famílias brasileiras. Em 2025, o país registrou uma fila de espera de mais de 826 mil crianças por uma vaga em creche, com 52% dos municípios admitindo que não conseguem suprir a demanda local. 

O gargalo do novo PAC

Dentro do Novo PAC, o cenário é ainda mais desafiador. Das 2.443 propostas de novas escolas e creches cadastradas, apenas uma obra foi concluída até o momento: uma creche em Assaré (CE). A grande maioria dos projetos segue em estágios preliminares: 1.069 em execução, 572 em licitação e 775 apenas cadastradas.

A baixa execução financeira reflete esse ritmo lento. Dos R$ 15 bilhões previstos para obras educacionais no PAC, apenas R$ 1,2 bilhão foram pagos efetivamente, o que representa uma execução de míseros 8% do total orçado.

Pacto de retomada vs. realidade

O Ministério da Educação (MEC) e o FNDE apostaram no "Pacto de Retomada de Obras" para destravar projetos antigos. O balanço do programa mostra que:

  • Total de pedidos: 3.783 obras;
  • Concluídas: 721;
  • Paralisadas ou canceladas: mais de 1.200 projetos.

Segundo o FNDE, a dinâmica da execução contribui para o atraso: embora o financiamento seja federal, a licitação e a execução da obra são de responsabilidade direta de estados e prefeituras. Esse modelo descentralizado acaba criando um "limbo" administrativo onde a falta de capacidade técnica ou de agilidade das administrações locais trava o envio dos recursos federais.

O drama da creche

Para a educação infantil, que compõe 69% dos projetos em pauta, a demora tem um custo social imediato. Atualmente, apenas 41,8% das crianças de até 3 anos estão matriculadas em creches no Brasil. Para especialistas, a falta de creches não é apenas um problema educacional, mas um obstáculo direto à inserção de mães no mercado de trabalho e ao desenvolvimento cognitivo na primeira infância.

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