Política

De olho na PEC 6x1, governo Lula bate recorde e libera R$ 16,1 bilhões em emendas parlamentares

Foto: Ricardo Stuckert / PR / Agência Brasil
Em maio, Lula injetou R$ 16,1 bilhões em emendas, recorde da gestão, visando apoio político e cumprimento da LDO.  |   BNews RN - Divulgação Foto: Ricardo Stuckert / PR / Agência Brasil
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

[email protected]

Publicado em 06/06/2026, às 17h32



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as negociações com o Congresso Nacional e injetou R$ 16,1 bilhões em emendas parlamentares na base de deputados e senadores ao longo do mês de maio. O montante representa o recorde absoluto de transferências mensais da atual gestão petista. Os dados foram extraídos da plataforma Siga Brasil, mantida pelo Senado Federal, e divulgados originalmente pelo jornal Folha de S.Paulo.

A aceleração na distribuição das verbas bilionárias teve um duplo propósito político e jurídico. O Palácio do Planalto utilizou o caixa para angariar votos favoráveis à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1.

Além disso, o Executivo precisava cumprir as exigências da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que obriga o governo federal a depositar 65% de todas as emendas impositivas ainda no primeiro semestre, abastecendo os prefeitos aliados antes do início oficial da campanha eleitoral.

Liberações bilionárias em vésperas de votação

Os dados orçamentários demonstram que a articulação política concentrou os depósitos em datas estratégicas na Câmara dos Deputados. No dia 12 de maio, quando o texto da mudança na jornada trabalhista começava a ser costurado no plenário, o governo liberou de uma só vez R$ 3,4 bilhões.

Posteriormente, outro repasse expressivo de R$ 2,9 bilhões caiu nas contas das bases políticas dos parlamentares no dia 27 de maio, exatamente na véspera da votação da proposta pelos deputados, que acabou aprovada e seguiu para análise no Senado.

Do total bilionário distribuído em maio, R$ 11,2 bilhões foram oriundos de cotas individuais e R$ 3,3 bilhões foram direcionados por bancadas estaduais. Lula também acionou as chamadas emendas de comissão, cujo repasse é opcional. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado liderou os recebimentos com R$ 888 milhões, seguida pela Comissão de Saúde da Câmara, com R$ 354 milhões. Individualmente, os senadores governistas Eduardo Braga (MDB-AM) e Giordano (MDB-SP) lideraram os ganhos com R$ 65 milhões e R$ 61 milhões, respectivamente.

Junho exigirá mais depósitos do Planalto

O volume de recursos liberados em maio representa um salto drástico em comparação com o mês de abril, quando haviam sido transferidos apenas R$ 1,4 bilhão. Para conseguir fechar o primeiro semestre cumprindo as metas impositivas determinadas pela LDO, a gestão petista enfrentará uma corrida contra o relógio e terá de repassar mais R$ 24,5 bilhões até o encerramento do mês de junho.

Historicamente, o desembolso registrado em maio só fica abaixo do patamar histórico de junho de 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro. Na ocasião, o governo anterior repassou o equivalente a R$ 17,8 bilhões (valores corrigidos pela inflação) em um único mês para turbinar as prefeituras com as "emendas Pix" e vitaminar o programa Auxílio Brasil na antevéspera do pleito presidencial.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating