Política
O Senado Federal instala nesta terça (04) a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, com o ambiente político marcado pela repercussão da operação realizada pelo governo do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) nos Complexos da Penha e Alemão.
Com a repercussão da operação que terminou com 121 no Rio de Janeiro e a pressão da opinião pública, governo e oposição decidiram escalar senadores de peso para a comissão, que mirará o “modus operandi” de facções como PCC e CV e a atuação de milícias.
O avanço da pauta da segurança pública sobre a agenda nacional é considerada como um ponto sensível para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a pagar entre R$ 440 mil a R$ 505 mil esta semana para impulsionar publicações nas redes sociais sobre o tema.
As publicações patrocinadas estão disponíveis na plataforma de anúncios da Meta – dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp. Segundo a página da big tech, cada peça teve pouco menos de 1 milhão de interações.
Disputa por comando e alerta no governo
Ainda não há acordo para definir o senador que presidirá a CPI — decisão que será tomada na sessão de instalação. O relator será o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que propôs a criação do colegiado.
A articulação para tentar influenciar o resultado e a indefinição sobre quem será o presidente da CPI pode abrir espaço para um movimento silencioso da oposição, que já conseguiu surpreender o governo ao conquistar o comando da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
O governo gostaria que o comando da CPI ficasse a cargo de Fabiano Contarato (PT-ES) ou de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
Já a oposição vê no tema uma ponte com eleitores de centro e pretende usar a CPI para reforçar a imagem de enfrentamento ao crime.
O governo tenta impedir que a agenda seja capturada politicamente e busca dar resposta institucional, com envio do PL Antifacção e articulação com governadores.
Equilíbrio político
A CPI terá 11 titulares e 11 suplentes. Entre os nomes indicados, há quadros experientes e figuras centrais na disputa entre governo e oposição como:
Oposição
Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Sergio Moro (União-PR)
Marcos do Val (Podemos-ES)
Magno Malta (PL-ES)
Governo e aliados
Jaques Wagner (PT-BA)
Otto Alencar (PSD-BA)
Rogério Carvalho (PT-SE)
Fabiano Contarato (PT-ES) – suplente
Randolfe Rodrigues (AP) – suplente
O que a CPI vai investigar?
A CPI deve funcionar por 120 dias e pretende apurar:
Estrutura e expansão de facções como PCC e CV e de milícias;
Fontes de financiamento e lavagem de dinheiro;
Domínio territorial e prisional;
Conexões regionais e transnacionais;
Atuação e possível infiltração no poder público;
Apontar mudanças legislativas.
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