Política
A menos de quatro meses para o primeiro turno das eleições, o Palácio do Planalto vive uma rotina de maratonas. O presidente Lula tem orientado seus auxiliares a evitar o lançamento de novas promessas e a canalizar energia total na finalização de obras e medidas que já estão em execução. O objetivo é claro: garantir que o eleitor sinta os resultados da gestão antes que o "defeso eleitoral", período em que a participação de candidatos em inaugurações públicas é estritamente proibida, bloqueie a vitrine do governo.
O ritmo tem sido exaustivo. Entre abril e maio, ministros participaram de pelo menos 257 compromissos oficiais focados em anúncios e entregas, mantendo uma média de quatro eventos por dia. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desponta como o mais ativo da Esplanada, viajando constantemente para inaugurar equipamentos hospitalares, seguido de perto pelas pastas de Transportes e Cidades, fundamentais para a visibilidade de uma gestão.
Para fortalecer a base de apoio, o governo não tem poupado esforços. O chamado "pacote de bondades" de 2026 atinge a marca de R$ 191,4 bilhões, abrangendo desde crédito para trabalhadores de aplicativos até a seleção de novas unidades do Minha Casa, Minha Vida Rural. A estratégia visa não apenas o cumprimento do cronograma administrativo, mas também a melhora direta nos índices de aprovação de Lula, que têm demonstrado resiliência nas pesquisas recentes.
A partir de 4 de julho, porém, a dinâmica mudará drasticamente. A legislação eleitoral veda nomeações sem justa causa, contratações e, principalmente, a publicidade institucional com identificação de autoridades. Por isso, a ordem no Planalto é aproveitar cada minuto até a data limite para consolidar a imagem de um governo realizador, transformando o canteiro de obras da Esplanada em uma peça-chave para o pleito que se aproxima.
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