Política
Publicado em 23/03/2026, às 06h55 Malu Machado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a ONU durante a COP15, afirmando que o Conselho de Segurança é omisso em relação a conflitos globais, o que reflete sua insatisfação com a atuação da entidade em questões de paz.
Lula expressou indignação com a passividade dos membros permanentes do Conselho, destacando que sua função deveria ser a manutenção da paz, mas que, segundo ele, têm contribuído para guerras.
A COP15, que ocorre pela primeira vez no Brasil sob a presidência do país, busca promover um multilateralismo forte e renovado, com Lula defendendo a necessidade de políticas que acolham em vez de dividir.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a disparar fortes críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) neste domingo (22). Durante a abertura da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro (COP15) de Espécies Migratórias, em Campo Grande (MS), o petista afirmou que o Conselho de Segurança da entidade tem sido "omisso" na busca por soluções para os conflitos globais.
Lula utilizou o tema do evento, a preservação de animais que cruzam fronteiras, para traçar um paralelo com a geopolítica atual.
A natureza não conhece limites entre Estados. A onça-pintada movimenta-se por quase todo o território preservado das Américas. Como ela, milhões de aves e mamíferos atravessam continentes", exemplificou, defendendo que o mundo precisa de políticas de acolhimento e não de "muros e discursos de ódio".
Assista à declaração:
Este foi a segunda mensagem direta de Lula à ONU em apenas 48 horas. No sábado (21), em Bogotá, ele já havia se dito "indignado com a passividade" dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
O que estamos assistindo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança e seus membros permanentes foram criados para manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras!", protestou o presidente, batendo na mesa durante o discurso.
A COP15 da CMS é realizada pela primeira vez no Brasil e segue até o dia 29 de março na capital sul-mato-grossense. É também a primeira vez que o país exerce a presidência da conferência.
Acompanhado de ministros como Marina Silva (Meio Ambiente) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), Lula defendeu um "multilateralismo forte e renovado" como única saída para evitar que países poderosos se sintam "donos" das nações mais frágeis. O evento também contou com a presença do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que manteve um tom mais técnico e evitou comentários sobre política internacional.
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