Política

Cármen Lúcia diz estar envergonhada com exposição do STF às vésperas da eleição

Luiz Roberto/TSE
Em sessão marcada por tensão, Cármen Lúcia fala sobre a repercussão pública e a necessidade de serenidade no Supremo Tribunal Federal  |   BNews RN - Divulgação Luiz Roberto/TSE
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 16/09/2026, às 07h35



A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) estar “um pouco até envergonhada” com o fato de o país estar concentrado em questões relacionadas à Corte a menos de 20 dias das eleições. A declaração ocorreu durante uma sessão do STF, em meio à repercussão de conflitos e processos envolvendo integrantes do tribunal.

Durante a manifestação, Cármen Lúcia disse estar em um estado de “profunda consternação e tristeza” com o momento vivido pelo Supremo. Segundo a ministra, o sentimento não estava relacionado apenas ao assunto analisado naquela sessão, mas também à repercussão pública dos acontecimentos envolvendo a Corte.

A ministra relatou ainda que chegou à sessão abatida e contou ter sido questionada por um colega sobre se estava aborrecida. Segundo ela, respondeu que estava triste. Em seguida, afirmou que o Supremo, na condição de guardião da Constituição, teria provocado um “mal-estar cívico” entre os brasileiros nos últimos dias.

Ministra faz crítica ao momento vivido pelo Supremo

Ao comentar a proximidade das eleições, Cármen Lúcia afirmou que considera preocupante o fato de as atenções estarem voltadas para questões internas do tribunal neste período. Ela ressaltou, porém, que parte dos assuntos em discussão envolve questões processuais de relevância e temas que considera graves.

Eu me sinto um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarmos todos voltados a questões do Supremo”, afirmou a ministra durante a sessão.

Cármen Lúcia também fez questão de esclarecer que a manifestação representava sua posição pessoal. Segundo ela, a posição institucional do Supremo Tribunal Federal deveria ser apresentada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

A ministra afirmou ainda que o Poder Judiciário deveria transmitir tranquilidade à população e reconheceu que, na condição de cidadã e magistrada, poderia ter contribuído mais para preservar o ambiente de serenidade que considera necessário.

Declaração ocorre durante sessão marcada por tensão

A fala de Cármen Lúcia ocorreu durante uma sessão do Supremo Tribunal Federal que analisava questões relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O encontro foi marcado por divergências entre integrantes da Corte e discussões sobre a condução dos processos.

Ao longo da manifestação, a ministra criticou o ambiente de exposição envolvendo o tribunal e afirmou que a Corte deveria atuar com rigor, serenidade e independência. Ela também destacou que decisões judiciais não deveriam ser submetidas à pressão popular.

Cármen Lúcia encerrou sua fala reconhecendo que poderia ter adotado uma postura diferente para ajudar a preservar a serenidade do tribunal. A declaração ocorreu em uma sessão que ganhou repercussão nacional justamente pela tensão entre integrantes do Supremo.

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