Política
A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirma ter identificado o influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, criador do perfil “Dilma Bolada”, como responsável pela primeira publicação monitorada pela equipe que associou o candidato à informação falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Segundo levantamento apresentado pela campanha e divulgado pela CNN Brasil, a publicação foi feita às 21h50 da última quarta-feira (23), no X. Na mensagem, Jeferson afirmou que católicos não deveriam votar em candidatos que pretendessem retirar o título da santa e fez referência à família Bolsonaro.
O perfil “Dilma Bolada” ganhou projeção durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com publicações de humor favoráveis à petista e críticas a adversários. A conta chegou a ultrapassar 1 milhão de seguidores.
De acordo com o monitoramento da campanha, seis minutos após a publicação de Jeferson, outro perfil publicou conteúdo relacionando Flávio à possibilidade de retirada do título de padroeira. Outras contas passaram a abordar o mesmo assunto na sequência.
A equipe jurídica do candidato sustenta, em notícia-crime apresentada ao procurador-geral eleitoral, que a sequência e o intervalo entre as publicações seriam indícios de uma possível ação coordenada. A existência dessa coordenação, no entanto, é uma alegação da campanha.
Algumas das publicações citadas alcançaram milhões de visualizações em menos de 24 horas, segundo os dados apresentados pela equipe de Flávio.
A narrativa também passou a associar o candidato a um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta pretendia alterar a expressão “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, mas foi arquivada em 2008. Flávio Bolsonaro não participou da apresentação do projeto.
Flávio negou publicamente que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do país.
A equipe jurídica do candidato recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar a remoção das publicações e impedir a divulgação de novos conteúdos com a mesma informação. O ministro André Mendonça concedeu decisão favorável ao pedido.
A campanha também pediu, na sexta-feira (25), a prisão preventiva e a realização de busca e apreensão contra George Marques, servidor da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
O pedido foi apresentado após Marques compartilhar, em perfil pessoal, uma publicação que orientava usuários a continuar divulgando a narrativa mesmo após uma retratação da imprensa.
A defesa de Flávio sustenta que a conduta poderia configurar divulgação de fatos sabidamente inverídicos durante o período eleitoral, incitação ao crime e associação criminosa. A avaliação sobre eventual prática de crimes cabe às autoridades responsáveis pela apuração.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que as acusações “não procedem” e classificou o pedido de prisão como “injusto e arbitrário”. A pasta declarou que a publicação foi feita em caráter pessoal, fora do horário de expediente e por meio de equipamento particular.
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