Política
por Lavínia Manso
Publicado em 05/11/2026, às 09h03
O governador eleito do Rio Grande do Norte, Cadu Xavier, do Partido dos Trabalhadores (PT), defendeu nesta quarta-feira (4), durante agenda em Brasília, a retomada de territórios ocupados pelo crime organizado no estado, por meio de policiamento ostensivo e serviços públicos. Ao apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, ele afirmou que a integração entre os governos é necessária para enfrentar o avanço das facções.
Na avaliação de Cadu, recuperar essas áreas exige uma presença permanente do poder público nas comunidades vulneráveis. A estratégia apresentada combina operações policiais com ações que ampliem o acesso da população aos serviços do Estado.
A gente tem que falar em ocupação dos territórios pelo estado, com prestação de serviços públicos para que a gente ocupe o espaço que o crime organizado ocupou ao longo do tempo”, declarou.
As declarações ocorreram um dia após o Senado aprovar a PEC por unanimidade, na noite de terça-feira (3). Cadu avaliou que a proposta poderá fortalecer a cooperação entre as instituições de segurança e trazer resultados para o Rio Grande do Norte.
Foi uma excelente notícia a aprovação da PEC da Segurança Pública, que vai ter impacto lá no Rio Grande do Norte”, afirmou.
O governador eleito também defendeu o combate às organizações criminosas “com firmeza, com polícia na rua, com ocupação de territórios”.
A passagem por Brasília inclui reuniões com representantes do governo federal, ao lado da governadora Fátima Bezerra (PT). Nos encontros, a atual chefe do Executivo apresenta o sucessor aos ministérios e discute projetos, investimentos e parcerias para o estado.
A PEC inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição e estabelece medidas para aproximar a atuação da União, dos estados e dos municípios no enfrentamento à criminalidade, especialmente às facções e milícias. O texto também amplia as atribuições da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Entre as mudanças previstas estão a possibilidade de criação de polícias municipais, o endurecimento das punições para integrantes de organizações criminosas e restrições à progressão de pena de lideranças de facções. A proposta ainda amplia os mecanismos de proteção às vítimas.
No financiamento, o texto determina repasses obrigatórios dos fundos nacionais de segurança e penitenciário para estados e municípios. Também prevê a destinação de parte do superávit do fundo do pré-sal à segurança pública.
Além da segurança, Cadu apresentou diretrizes para o governo que assumirá em janeiro de 2027. Auditor fiscal de carreira e ex-secretário estadual da Fazenda, ele pretende melhorar os indicadores fiscais para ampliar os investimentos e a capacidade de atendimento à população.
O nosso estado enfrenta uma situação de mais de 20 anos de indicadores fiscais ainda muito desafiadores. A gente está trabalhando para montar um governo com esse princípio de ampliar a capacidade de investimento, de avançar na prestação de serviços públicos para a população”, afirmou.
O governador eleito relacionou sua experiência na gestão financeira às prioridades de desenvolvimento econômico, atração de investimentos e geração de empregos. Ao comparar sua trajetória com a de Fátima, destacou a atuação sindical da governadora e disse que terá uma administração com características próprias.
Eu disse ao longo da campanha que eu tenho muita lealdade a Fátima, mas eu tenho um DNA próprio”, declarou.
“A minha pegada é mais voltada para o desenvolvimento, para a geração de emprego e renda. O meu governo vai ser um governo de avanço”, afirmou.
“O meu governo vai ser um governo diferente do dela. Eu acho que é isso, as ideias se complementam”, acrescentou.
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