Política
A menos de seis meses das eleições de 2026, prefeitos sob investigação, como Allyson Bezerra de Mossoró, adotam o discurso de 'perseguição política' para transformar ações da Polícia Federal em capital eleitoral, buscando desviar a atenção das irregularidades apuradas.
Allyson Bezerra, alvo de uma operação da PF por supostas irregularidades em recursos públicos, questiona o timing da investigação, sugerindo que ela visa barrar sua ascensão política, enquanto especialistas alertam para a tentativa de deslocar o debate do jurídico para o emocional.
A estratégia de desqualificação das instituições e mobilização digital, observada em outros estados como Amazonas e Amapá, pode minar a confiança pública nos órgãos de controle, enquanto a Polícia Federal afirma que as investigações seguem seu curso independente do calendário eleitoral.
A menos de seis meses das eleições de 2026, uma narrativa coordenada começa a tomar conta das redes sociais de prefeitos e lideranças políticas sob investigação: o discurso da "perseguição política". O movimento, que busca transformar operações da Polícia Federal e decisões do Judiciário em combustível eleitoral, tem no Rio Grande do Norte um de seus expoentes mais barulhentos: o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).
Allyson foi alvo de uma operação da PF no fim de janeiro, que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão para apurar supostas irregularidades em recursos da saúde e comunicação institucional. Desde então, o prefeito adotou uma postura de "vítima do sistema", vinculando a ação policial ao fato de seu nome liderar pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado.
Em vídeos publicados para seus seguidores, o prefeito de Mossoró questionou o momento da operação.
"É um processo de 2023, mas só agora em janeiro de 2026, ano eleitoral, foi que houve essa investigação na minha casa", declarou Allyson, sugerindo que as instituições estariam sendo usadas para barrar sua ascensão política.
No entanto, especialistas em ciência política alertam que essa estratégia visa deslocar o debate do campo jurídico (onde há provas e fatos) para o campo passional e político. Ao questionar a legitimidade da Polícia Federal, o investigado tenta blindar sua base de apoio, transformando a crise de imagem em capital de mobilização.
O caso potiguar não é isolado. Levantamentos mostram que prefeitos no Amazonas e no Amapá, que também almejam os governos estaduais, replicam exatamente o mesmo roteiro após operações policiais em suas gestões:
Para juristas, a tentativa de politizar investigações técnicas é perigosa para a democracia, pois mina a confiança da população nos órgãos de controle. Enquanto os prefeitos alegam perseguição, a Polícia Federal e o Ministério Público reforçam que o calendário das investigações segue o ritmo da coleta de provas, independentemente do calendário eleitoral.
O embate deve dar o tom das campanhas no Rio Grande do Norte nos próximos meses. De um lado, o Judiciário buscando transparência no uso do dinheiro público; do outro, pré-candidatos tentando convencer o eleitor de que as algemas têm cor partidária.
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