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Rio Grande do Norte tem pior índice de esclarecimento de homicídios do Brasil, aponta estudo; Polícia Civil contesta resultado

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Apesar de ter uma taxa de homicídios inferior a outros estados, o RN apresenta o pior desempenho em esclarecimento de crimes violentos  |   BNews RN - Divulgação Reprodução internet
Redação

por Redação

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Publicado em 09/07/2026, às 08h28



O Rio Grande do Norte aparece na última colocação do Brasil em esclarecimento de homicídios dolosos, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Sou da Paz. De acordo com o estudo, apenas 9% dos assassinatos registrados no Estado entre 2020 e 2023 resultaram em denúncia apresentada pelo Ministério Público, percentual considerado o menor do País.

A pesquisa, intitulada "Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil", analisou o desempenho das unidades da federação na elucidação desse tipo de crime e identificou fatores que contribuem para melhores resultados.

Após a divulgação do levantamento, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte contestou os números e afirmou que os dados oficiais mais recentes apontam um cenário diferente.

O levantamento considera um homicídio esclarecido quando a investigação resulta em denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público até o final do ano seguinte ao crime.

O indicador não leva em conta etapas posteriores do processo judicial, como julgamento ou condenação, mas mede a capacidade inicial de responsabilização dos autores. Os percentuais divulgados correspondem à média registrada entre 2020 e 2023.

Segundo o Instituto Sou da Paz, o Rio Grande do Norte chama atenção porque, apesar de apresentar uma taxa de homicídios inferior à de diversos estados das regiões Norte e Nordeste, possui o menor índice de esclarecimento do Brasil.

Ranking nacional mostra diferenças entre os estados

Na outra ponta da pesquisa aparece Goiás, com índice médio de 86% de esclarecimento dos homicídios. No entanto, o próprio estudo ressalta que o estado forneceu dados apenas para um dos quatro anos analisados.

Por esse motivo, o Distrito Federal é apontado como a principal referência nacional, reunindo elevado índice de esclarecimento, de 81%, aliado à regularidade no envio das informações durante toda a série histórica.

Os estados com melhor desempenho são:

Goiás – 86% (dados de apenas um ano);
Distrito Federal – 81%;
Minas Gerais – 75%;
Paraná – 72%;
Mato Grosso do Sul – 71%;
Rondônia – 67%;
Santa Catarina – 65%.

Já entre os menores índices aparecem:

Rio Grande do Norte – 9%;
Bahia – 14%;
Piauí – 23%;
Rio de Janeiro – 23%;
Ceará – 27%.

O estudo informa ainda que Alagoas, Rio Grande do Sul e Tocantins não disponibilizaram informações suficientes para integrar a série histórica.

De acordo com o estudo, apenas 9% dos assassinatos registrados no Estado entre 2020 e 2023 resultaram em denúncia apresentada pelo Ministério Público, percentual considerado o menor do país.
De acordo com o estudo, apenas 9% dos assassinatos registrados no Estado entre 2020 e 2023 resultaram em denúncia apresentada pelo Ministério Público, percentual considerado o menor do país.

Pesquisa aponta que gestão pesa mais que efetivo policial

Outro ponto destacado pelo levantamento é que não existe relação direta entre o número de policiais ou peritos por habitante e os índices de esclarecimento dos homicídios.

Segundo os pesquisadores, os melhores resultados foram registrados em estados que transformaram a investigação desses crimes em política permanente, estabeleceram metas, monitoraram indicadores, fortaleceram a perícia e adotaram modelos de gestão voltados para resultados.

Veja alguns dos exemplos citados:

  • Mato Grosso, que elevou o índice de esclarecimento de 33% para 71% entre 2020 e 2023;
  • Rondônia, que passou de 50% para 92%;
  • Paraíba, que saiu de 32% para 46%;
  • Sergipe, que avançou de 46% para 64% entre 2022 e 2023.
  • São Paulo tem menor taxa de homicídios, mas desempenho cai na investigação
  • O levantamento também dedica atenção ao caso de São Paulo.

Mesmo registrando, em 2023, a menor taxa de homicídios do Brasil — 7,8 mortes por 100 mil habitantes — o estado apresentou média de esclarecimento de apenas 40% entre 2020 e 2023.

Além disso, o estudo aponta tendência de queda nos resultados. O índice passou de 47% em 2021 para 40% em 2022, chegando a 31% em 2023, o menor percentual da série analisada.

Para o Instituto Sou da Paz, a redução dos homicídios não significa, necessariamente, maior capacidade investigativa.

Polícia Civil do RN rebate estudo e afirma que índice atual chega a 50%

A delegada-geral da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Ana Cláudia Saraiva, contestou os resultados apresentados pelo Instituto Sou da Paz e afirmou que a pesquisa utilizou dados antigos, referentes principalmente aos anos de 2020 e 2021.

Segundo ela, o sistema de monitoramento atualmente utilizado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) começou a ser adotado em 2024 e apresenta números diferentes dos divulgados pelo estudo.

De acordo com a delegada, nas cidades atendidas pelas Delegacias Especializadas em Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPPs), o índice de elucidação já alcança quase 50%.

Ela informou ainda que, nas regiões onde não existem unidades especializadas, o percentual é de aproximadamente 35%.

A delegada-geral da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Ana Cláudia Saraiva, contestou os resultados apresentados pelo Instituto Sou da Paz.
A delegada-geral da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, Ana Cláudia Saraiva, contestou os resultados apresentados pelo Instituto Sou da Paz.

Indicadores oficiais são auditados, afirma delegada

Ana Cláudia Saraiva afirmou que os dados utilizados pela Polícia Civil seguem metodologia diferente da empregada pelo Instituto Sou da Paz.

Segundo ela, os indicadores oficiais são auditados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, pelo Ministério Público e pela própria Sesed, permitindo a comprovação individual dos casos esclarecidos.

A delegada também explicou que a metodologia do estudo considera informações provenientes de denúncias apresentadas ao Poder Judiciário, enquanto os dados da Segurança Pública são produzidos diretamente pelos sistemas oficiais de investigação criminal.

Expansão das DHPPs é aposta para aumentar elucidação

A chefe da Polícia Civil afirmou que a ampliação das Delegacias de Homicídios é uma das principais estratégias para elevar os índices de esclarecimento no Rio Grande do Norte.

Segundo ela, quando a atual gestão assumiu a instituição, em 2019, o percentual de elucidação era de aproximadamente 15%.

Com a implantação de novas DHPPs na Região Metropolitana de Natal, o fortalecimento das unidades de Mossoró e a criação de núcleos especializados em outras regiões do estado, esse índice teria alcançado quase 50%.

A meta, segundo Ana Cláudia Saraiva, é expandir o modelo para o interior do estado, fortalecendo a capacidade de investigação e contribuindo para a redução dos homicídios.

Questionada sobre eventual contestação oficial ao estudo, a delegada afirmou acreditar que futuras pesquisas, utilizando os indicadores oficiais da Segurança Pública, deverão refletir os números atualmente apresentados pela Polícia Civil.


Confira o ranking: 
Goiás 86%;
Distrito Federal 81%;
Minas Gerais 75%;
Paraná 72%;
Mato Grosso do Sul 71%;
Rondônia 67%;
Santa Catarina 65%;
Mato Grosso 57%;
Sergipe 55%;
Espírito Santo 48%;
Acre 47%;
Maranhão 41%;
Amazonas 41%;
São Paulo 40%;
Paraíba 39%;
Roraima 39%;
Pernambuco 33%;
Amapá 30%;
Pará 29%;
Ceará 27%;
Rio de Janeiro 23%;
Piauí 23%;
Bahia 14%;
Rio Grande do Norte 9%.

Confira nota oficial da Segurança Pública do RN
Elucidação de homicídios no RN cresce a partir de investimentos
Em resposta à recente estatística divulgada pelo Instituto Sou da Paz, que posiciona o Rio Grande do Norte com um baixo índice de resolutividade para casos de homicídio registrados no estado, a Polícia Civil vem a público esclarecer que o verdadeiro percentual de elucidação de homicídios varia de 35% a quase 50% (46,79%) — dados relativos ao ano de 2025. 
Historicamente, este é o melhor resultado no Rio Grande do Norte. Em 2019, este índice foi de 15%. Em 2021, aproximadamente 24% dos casos eram elucidados. Em 2023, chegou a 35%. Este salto (superior a 100%) é fruto de uma política de Estado focada no fortalecimento da investigação criminal e na transparência de dados, a partir de mais investimentos em infraestrutura, tecnologia e recursos humanos.
A implantação e expansão das delegacias e núcleos especializados em investigação de homicídios mostra que, nessas áreas, a resolutividade chega a quase metade dos casos (46,79%), contra 35% nas áreas onde não há atuação direta dessas especializadas.
O indicador leva em conta a metodologia adotada pelo Ministério da Justiça para todo o país, e que o estado implementou ainda em 2024 de forma pioneira. São dados oficiais, fidedignos, e com metodologia padrão, distante dos dados disponibilizados pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte e usados em abordagem do tema de forma superficial.
Contrariando leituras superficiais sobre a segurança pública, a atual gestão promoveu a maior expansão estrutural da história do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), saltando de 9 para 16 delegacias especializadas e criando o "Cinturão Metropolitano". Além do reforço no efetivo via concursos públicos, o governo potiguar instituiu os Núcleos de Investigação de Mortes Violentas (NIMOV), garantindo que a expertise técnica chegue a todo o território estadual.
Essa evolução é sustentada pela modernização tecnológica e pela integração institucional. Com ferramentas como o Sistema de Gestão Estatística sobre Mortes Violentas Intencionais (SISMVI) e o Relatório de Investigação Preliminar (RIP) digital, o Rio Grande do Norte garante a auditabilidade e a rastreabilidade de cada investigação desde o local do crime.
Os investimentos realizados na Polícia Científica também trazem enorme contribuição às investigações e elucidação dos casos, além da integração entre a Polícia Civil, a Secretaria de Segurança e o Ministério Público, que asseguram precisão nos indicadores oficiais, tornando-os imunes a interpretações que ignorem a complexidade da atividade investigativa.
O Sistema de Segurança Pública do Rio Grande do Norte ressalta que o combate à impunidade no estado é pautado por resultados técnicos sólidos, e com metologia padrão e comum a todos os estados, afastando-se de dados superficiais externos, com metodologia simplista.

Classificação Indicativa: Livre

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