Polícia
Ela se posicionou. Estamos falando da promotora de vendas Juliana Garcia dos Santos Soares, espancada pelo ex-namorado dentro de um elevador em Natal. O crime aconteceu em julho do ano passado, e teve repercussão nacional. Ao todo, foram 61 socos em menos de um minuto.
“Eu espero que a justiça seja feita. Não apenas por mim, mas por todas as meninas e mulheres que já sofreram violência e por aquelas que ainda podem ser vítimas", comentou Juliana.
A fala foi enviada ao BNews RN pela própria Juliana, ao comentar a decisão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, que na manhã da quinta-feira (24) rejeitou recurso apresentado pela defesa do agressor, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral. Ex-namorado de Juliana, ele tentava a anulação do processo.
Com a negativa do (TJRN), Igor Cabral vai mesmo ter que enfrentar o júri popular. Ele foi denunciado pelo crime de tentativa de feminicídio. De acordo com o Código Penal Brasileiro, a pena varia de 13 anos e 4 meses a 26 anos e 8 meses de reclusão.
"Eu sobrevivi a uma violência brutal e, para mim, sobreviver também significa não permitir que aquilo que tentaram fazer comigo determine o resto da minha história", acrescentou Juliana.
Após a violência sofrida, Juliana se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT). Nas eleições deste ano, ela disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. O que ela quer?
"Quero transformar essa dor em força, em voz e em luta. Espero que nenhuma menina ou mulher precise ser atravessada por uma violência tão brutal quanto a que me atravessou para que a sociedade perceba que precisamos agir”, disse ela.
O recurso era uma das últimas tentativas da defesa de Igor Cabral para impedir o avanço do processo. Os advogados alegavam uma suposta irregularidade na fase de apresentação das alegações finais e pediam a anulação do procedimento. A 1ª Vara Criminal, entretanto, informou ao TJRN que a assistente de acusação sequer apresentou alegações finais e esclareceu que a defesa teria oportunidade de ratificar ou retificar seus argumentos caso houvesse manifestação.
A decisão desta quinta-feira manteve o entendimento de primeira instância de que Igor deve responder perante o Tribunal do Júri pela acusação de tentativa de feminicídio. Em junho, ao pronunciar o réu, a 1ª Vara Criminal também rejeitou o pedido da defesa para desclassificar a acusação para lesão corporal. O juízo considerou que a dinâmica das agressões, com múltiplos golpes concentrados na cabeça e no rosto da vítima, não permitia afastar, naquela fase, a hipótese de intenção de matar.
Juliana Garcia dos Santos Soares, de 35 anos, foi espancada por Igor Cabral na tarde do dia 26 de julho de 2025, após uma discussão no elevador do condomínio onde ela morava, na Zona Sul de Natal.
Em menos de um minuto, Juliana leva 61 socos. O vídeo abaixo mostra a violência:
Ao ver as imagens, o porteiro do prédio acionou a Polícia Militar. Quando o elevador chegou ao térreo, Igor Cabral foi contido pelos moradores até a chegada dos policiais.
Juliana foi levada para o Pronto-Socorro Clóvis Sarinho. Na ocasião, ela apresentava fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão.
Preso desde o dia do crime, Igor permanece na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim. Com o recurso rejeitado pelo TJRN, o processo segue para a próxima etapa: a realização do julgamento pelo Tribunal do Júri. A data da sessão ainda deverá ser definida pela Justiça.
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