Polícia
Informações repassadas de forma anônima ajudam as forças de segurança pública na elucidação de crimes e na localização de suspeitos. Elas também permitem uma atuação mais eficaz e veloz diante de situações de risco. No Rio Grande do Norte não é diferente e tem feito a diferença.
Pelo Disque Denúncia 181, mais de 7.000 ligações foram registradas pelo setor de Inteligência da Polícia Civil somente em 2026. Deste total, mais de 2.500 foram classificadas como denúncias.
Um exemplo emblemático do quão importante pode ser uma denúncia aconteceu no final de semana passado, em Natal. O caso virou assunto nacional. Uma mulher seria assassinada, provavelmente executada pelo chamado "tribunal do crime". Mas, graças a uma ligação anônima, o pior não aconteceu.
A vítima estava em uma canoa, em meio às águas do Rio Potengi, quando foi resgatada. A partir das informações recebidas, equipes da Polícia Militar iniciaram as buscas e o Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER) entrou em ação com o helicóptero Potiguar 01.
A aeronave conseguiu localizar a embarcação no momento da travessia. Cinco suspeitos foram presos e a mulher retirada do local em segurança.
O caso demonstra, de maneira concreta, como uma informação fornecida pela população pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
"Muitas vezes, quem presencia uma movimentação suspeita, conhece a rotina de criminosos ou possui alguma informação relevante e que pode ser a primeira peça de uma investigação que, posteriormente, resulta na identificação e prisão dos responsáveis", destacou um policial que trabalha no setor de Inteligência.
No Rio Grande do Norte, dois canais de comunicação para situações de emergência e/ou denúncias estão disponíveis 24 horas para a população: são os números 181 e 190.
Dados do Departamento de Inteligência Policial (DIP) mostram que, entre janeiro e julho de 2026, o serviço gratuito Disque Denúncia 181 recebeu 7.002 ligações em todo o estado, com uma média mensal de 1.032 chamadas.
O serviço é um dos principais canais disponibilizados para que a população possa comunicar informações de interesse da segurança pública. As ligações podem contribuir para a identificação de suspeitos, localização de pessoas, esclarecimento de crimes e direcionamento de investigações realizadas pelas forças de segurança.
Do total de chamadas recebidas nos primeiros sete meses do ano, 2.577 foram classificadas como denúncias, o que representa uma média de aproximadamente 368 denúncias por mês. O número de denúncias apresentou crescimento ao longo do período, passando de 371 em janeiro para 419 em julho. O maior registro ocorreu em março, com 443 denúncias.
Os dados do DIP também revelam que a busca por informações representa o principal motivo das ligações para o 181. Foram 2.743 chamadas classificadas como “Informação”, seguidas por 2.193 denúncias.
Também aparecem entre os registros situações como: caiu a ligação (533), trotes (517), dados incompletos (409), enganos (280), ligações sem nexo (279) e reclamações (46).
No caso específico das denúncias, o WhatsApp Web também aparece como um dos principais canais utilizados para denúncias pela população, com 358 registros, enquanto o e-mail contabilizou 21 e outros canais, cinco. A maior parte das denúncias, entretanto, foi registrada pelo próprio serviço telefônico, com 2.193 registros.
Para a Polícia Civil, a colaboração da sociedade é fundamental para ampliar a capacidade de investigação e transformar informações recebidas em ações concretas de segurança pública. Muitas vezes, um detalhe fornecido por um cidadão pode ajudar os investigadores a confirmar uma suspeita, localizar um criminoso ou até mesmo evitar que um crime aconteça.
"As denúncias anônimas são de suma importância para investigação criminal, visto que a gente consegue, de modo assertivo, após checá-las, identificar criminosos e elucidar crimes graves", destaca o delegado Joacir Rocha, diretor da Divisão Especializada de Investigação e Combate ao Crime Organizado (DEICOR).
"O contexto dessas denúncias ajuda, sobremaneira, a investigação qualificada. Ela pode direcionar em muitos casos", acrescenta.
Ainda de acordo com o delegado, a orientação é para que a população não ignore situações suspeitas e não tente fazer justiça com as próprias mãos. Ao perceber algo que possa estar relacionado à prática de um crime, o cidadão deve procurar os canais oficiais e repassar o máximo de informações possível.
190
Já o 190 é o número de emergência disponibilizado à população potiguar pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), da Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED). O serviço deve ser utilizado em situações que exigem resposta imediata das forças de segurança, como crimes em andamento, situações de violência, ameaças ou pessoas em risco.
A diferença entre os dois canais está, principalmente, na natureza da informação. O 181 é voltado ao recebimento de denúncias e informações que podem subsidiar o trabalho de investigação. Já o 190 deve ser acionado quando há uma emergência ou uma ocorrência que necessita de atendimento imediato.
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